A Associação para Promoção das Frutas, Legumes e Flores de Portugal, presente na Fruit Logistica em Berlim, apela ao Governo que disponibilize apoio aos agricultores que vá além das linhas de crédito, face aos prejuízos do mau tempo.
“O contexto é muito complexo, difícil. Houve muitas empresas do setor que sofreram gigantescos prejuízos e necessitam de repor o seu potencial produtivo. São tempestades muito diferentes daquilo que estamos habituados”, sublinhou Gonçalo Santos Andrade em declarações à Lusa.
O presidente da Portugal Fresh admite que ainda estão a fazer o levantamento dos estragos junto dos agricultores afetados.
“São necessários apoios aos agricultores. Até agora o que ouvimos anunciar é muito à base de linhas de crédito que no imediato são muito importantes, mas temos de ter noção que não é endividando ainda mais os agricultores que resolvemos estes problemas”, sustentou.
“Há que criar apoios a fundo perdido porque estamos a falar de uma situação completamente inesperada, por isso precisamos de medidas completamente diferentes do que estamos habituados”, acrescentou.
O Ministério da Agricultura vai abrir uma medida de restabelecimento do potencial produtivo, devido ao impacto do mau tempo, para investimentos entre 5.000 e 400.000 euros, cuja taxa de apoio pode chegar aos 100%.
“Não é apenas uma questão de solidariedade com os agricultores, tem mesmo de ser uma decisão estratégica para o próprio país. Quando estamos a proteger a produção de alimentos, trata-se de garantir a nossa soberania alimentar, de manter a vitalidade das economias em meios rurais”, enfatizou Gonçalo Santos Andrade.
A Portugal Fresh vai estar em Berlim, na Fruit Logistica, a partir de quarta-feira, com 24 empresas que levam “qualidade e diversidade”.
“As empresas têm mantido a sua participação, mas o que se tem notado é muita cooperação entre elas. Embora sejam as mesmas entidades, elas representam mais agricultores, o que tem sido muito positivo, porque ganhamos escala e apresentamos uma oferta mais sólida para os mercados internacionais”, destacou o presidente da Associação para Promoção das Frutas, Legumes e Flores de Portugal.
Os últimos dados disponíveis indicam que, entre janeiro e novembro de 2024, as exportações de frutas, legumes e flores somam 2,36 mil milhões de euros, o que representa um aumento de 11% face ao mesmo período do ano anterior.
A quantidade de produtos exportados seguiu a mesma tendência e cresceu 7,4% para 1.767.164 toneladas no mesmo período.
A Alemanha é o 4.º principal destino das exportações nacionais de frutas, legumes e flores. Entre janeiro e novembro de 2024 as vendas para este mercado subiram 12,5% em valor, para 184 milhões de euros.
“Trazemos muito produtos como os pequenos frutos, os citrinos, a nossa pera rocha, as maças, o tomate, os kiwis, as couves, as abóboras, as uvas de mesa, entre outros, que nos garantem uma mistura enorme de cores, de sabores, de aromas, muito apreciados pelos clientes que temos”, partilhou Gonçalo Santos Andrade.
A Fruit Logistica começa no dia 05 e termina em 07 de fevereiro. São esperados mais de 2.500 expositores de 86 países.















































