Mastite afeta produtividade em propriedades de ovinos de corte

Mastite afeta produtividade em propriedades de ovinos de corte

[Fonte: Embrapa] A mastite também é um problema na ovinocultura de corte. Apesar do foco não ser produção comercial de leite, a redução da qualidade e quantidade afeta o ganho de peso dos cordeiros. Ainda, há prejuízos com medicamentos, abate prematuro, desvalorização comercial das matrizes devido a anomalias na mama e até perda do animal.

A ocorrência da doença está relacionada ao ambiente e às condições de manejo dos ovinos. O período de maior suscetibilidade da ovelha à mastite é na semana anterior e na posterior ao parto. De acordo com o pesquisador Luiz Francisco Zafalon, da Embrapa Pecuária Sudeste (São Carlos – SP), é uma fase de estresse para o animal. “Nesse período, a ovelha tem um desafio maior. Seu organismo se prepara para produzir colostro e leite para alimentar o filhote. Com a imunidade mais baixa e a produção de leite em alta, aumentam-se as chances de uma bactéria entrar na glândula e se multiplicar”, explica.

A recomendação é que os pecuaristas fiquem atentos e redobrem os cuidados com nutrição e higiene. Zafalon ressalta que a limpeza frequente do local onde os animais ficam é essencial. No caso dos ovinos criados em sistemas extensivos de produção, a pastagem precisa ficar livre de objetos e condições que possam acarretar lesões nos tetos, que facilitam a entrada de microrganismos. Outra preocupação deve ser com a alta densidade populacional. “Quando há muitos animais juntos, aumentam-se as chances de transmissão de microrganismos”, diz. Zafalon ainda recomenda cuidados com a nutrição. Ovinos bem nutridos têm maior capacidade de se defender de infecções.

O diagnóstico rápido pode fazer a diferença e diminuir os prejuízos. A inflamação da glândula mamária pode ser clínica ou subclínica. A ocorrência de mastite subclínica em um rebanho sempre é maior. “Se você tiver um caso da doença clínica, você tem muitos casos da forma subclínica, dependendo da causa infecciosa presente no rebanho”, alerta.

Ovelhas com mastite clínica apresentam alterações visíveis no úbere, no leite e no comportamento, em conjunto ou não. O úbere pode apresentar vermelhidão, endurecimento, abscessos, fístulas e nódulos. No leite, o ovinocultor deve ficar atento à presença de sangue, coágulos, flocos e pus.
As alterações causam desconforto nos animais. A infecção faz com que a ovelha leve a cabeça em direção à glândula mamária de forma mais constante, além disso pode apresentar febre, apatia e isolamento do rebanho.

Quando a doença é subclínica, não há sinais visíveis para o produtor. Nesse caso, o diagnóstico é realizado por meio de testes específicos, como o California Mastitis Test (CMT) e a contagem de células somáticas (CCS). As ovelhas apresentam alterações como a diminuição da produção e mudanças na composição físico-química do leite, principalmente pelo aumento do número de células de defesa da glândula mamária.

Tratamento

A ocorrência clínica da mastite deve ser tratada com um antimicrobiano, selecionado de acordo com o agente causador. A aplicação do medicamento deve ser feita após a adequada higienização do esfíncter do teto com álcool 70%. A cura do animal depende da adequada esgota da ovelha, de forma que a menor quantidade de leite possível esteja na mama..
Como medida de controle para a forma subclínica, pode ser realizado o tratamento com antimicrobiano durante a fase de secagem. Segundo o pesquisador, na lactação seguinte, os microrganismos estariam eliminados do úbere, apesar disso depender muito das características dos microrganismos, do animal e do ambiente onde a ovelha permanece.

A incidência da infecção nos rebanhos ovinos pode ser reduzida com medidas simples no dia a dia da fazenda. O pecuarista precisa manter o ambiente adequado, com a remoção diária dos dejetos dos animais e colocação de estrados de madeira nos locais de abrigo para redução da exposição do úbere aos agentes causadores de mastite. Outra medida é diminuir ao máximo as possibilidades da ocorrência de lesões nos tetos, que facilitam a entrada de microrganismos.

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