Centenas de indígenas estão há duas semanas a protestar junto a instalações da gigante norte-americana Cargill, no norte do Brasil, contra a dragagem e a exploração dos rios da Amazónia para exportar cereais.
Há meses que as comunidades indígenas brasileiras denunciam a expansão portuária em rios que consideram vitais para o seu modo de vida, uma queixa já expressa na COP30, conferência climática realizada em Belém, em novembro, sob a presidência do líder brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.
“O governo está a abrir os nossos territórios a inúmeros projetos (…) para impulsionar o agronegócio”, declarou a líder indígena Auricelia Arapiuns à agência de notícias France-Presse (AFP) numa mensagem vídeo a partir da cidade portuária de Santarém, no estado do Pará, que acolheu a COP30.
“Estamos aqui há 14 dias, mas esta luta não começou hoje. Estamos a ocupar a Cargill para chamar a atenção para o problema e para que o governo apresente uma proposta”, acrescentou.
Segundo a organização de defesa ambiental Amazon Watch, aproximadamente 700 indígenas de 14 comunidades participaram no protesto quarta-feira.
Os manifestantes impediram a entrada e saída de camiões do terminal, afirmou a Cargill num comunicado enviado à AFP, acrescentando que a empresa não tinha autoridade nem controlo sobre as reivindicações.
A multinacional agroindustrial, com sede no Minnesota, no centro-norte dos Estados Unidos, tem operações de logística agrícola em todo o Brasil, onde emprega cerca de 11 mil pessoas.
Os manifestantes exigem a revogação de um decreto assinado por Lula da Silva em agosto, que designa os principais rios da Amazónia como vias navegáveis prioritárias para a navegação e a expansão dos portos privados.
Os indígenas exigem ainda o cancelamento de um concurso federal, publicado em dezembro, no valor de 74,8 milhões de reais (12 milhões de euros), para a gestão e dragagem do rio Tapajós, um importante afluente do Amazonas.
O Ministério dos Portos brasileiro declarou em janeiro que o contrato com uma empresa para dragagens de manutenção era necessário para “aumentar a segurança da navegação (…) e garantir maior previsibilidade nas operações de transporte de carga e passageiros”.
O Brasil é o maior exportador mundial de soja e milho e, nos últimos anos, tem optado pelos portos fluviais do norte para reduzir o custo da exportação de cereais.













































