A Rede Nacional PAC apresentou, em Lisboa, as estratégias portuguesas para o setor pecuário num evento da EU CAP Network, que culminou com uma visita técnica à Companhia das Lezírias para demonstração de boas práticas e preservação de raças autóctones e exóticas.
No passado dia 15 de abril de 2026, Lisboa acolheu a 2.ª reunião do Grupo de Temático (TG) sobre o papel da PAC no apoio a sistemas pecuários sustentáveis e competitivos. O encontro, organizado pela EU CAP Network, reuniu cerca de 50 especialistas e delegados de diversos Estados-Membros para debater a resiliência e o futuro do setor pecuário europeu.
A sessão de abertura foi conduzida por Maria Custódia Correia, Coordenadora Nacional da Rede Nacional PAC, que expôs a estrutura operacional da rede em Portugal. Com uma equipa focada em áreas críticas como o AKIS (Sistema de Conhecimento e Inovação Agrícola) e a partilha de boas práticas, a rede tem sido fundamental na ponte entre a investigação científica e a aplicação prática no campo.
Durante a apresentação, foram sublinhados os pilares de apoio ao setor pecuário nacional:
- Capacitação Técnica: Certificação de mais de 1.200 consultores em eficiência alimentar para redução de emissões e gestão de pastagens.
- Bem-Estar e Sanidade: Foco no uso racional de antimicrobianos e na melhoria contínua das condições de produção.
- Ano Internacional das Pastagens (2026): A afirmação do pastoreio como ferramenta de gestão territorial e mitigação climática.
Foi ainda destacado o lançamento do concurso para o apoio aos Centros de Competência, visando dinamizar o fluxo de conhecimento nos próximos 24 meses.
O segundo dia do evento proporcionou uma imersão prática na Companhia das Lezírias, onde os participantes testemunharam a coexistência entre tradição, biodiversidade e produtividade.
A comitiva visitou as unidades de produção pecuária, onde o cavalo Lusitano assume o papel de embaixador da coudelaria. No que toca ao gado bovino, os participantes observaram o sistema de exploração extensiva que privilegia as raças autóctones Preta e Mertolenga.
A estratégia de diversificação e melhoramento da Companhia foi evidenciada pela presença de duas raças oriundas de França: a Limousin e a Charolais. Estas raças exóticas são integradas para potenciar a qualidade da carne e a eficiência produtiva, mantendo sempre o rigor das boas práticas de bem-estar animal que caracterizam a gestão em regime extensivo.
A gestão da vasta área de Montado de Sobro foi um dos pontos altos. Os especialistas europeus analisaram as boas práticas aplicadas na conciliação da extração de cortiça com o pastoreio, um exemplo de economia circular e preservação de ecossistemas sensíveis, essencial para a resiliência do território.
Na vertente vitivinícola, o foco incidiu sobre a sustentabilidade das vinhas e as marcas produzidas pela Companhia. Os participantes conheceram o projeto Tyto Alba (coruja-das-torres), um vinho que simboliza a proteção da biodiversidade na exploração, e o emblemático Catapereiro, marca de longa tradição da casa. A produção, que utiliza castas como Touriga Nacional, Alicante Bouschet e Fernão Pires, é gerida sob princípios de viticultura de precisão, garantindo o uso eficiente de recursos hídricos.
O evento terminou com um almoço de networking no restaurante da Companhia, onde a troca de experiências entre os diversos participantes reforçou a importância da cooperação transfronteiriça para uma pecuária europeia mais sustentável e competitiva.
O artigo foi publicado originalmente em Rede Rural Nacional.

















































