O Governo dos Açores (PSD/CDS-PP/PPM) iniciou este mês a primeira fase da estratégia de luta biológica contra a vespa das galhas do castanheiro, com a libertação controlada do parasitóide ‘Torymus sinensis’ em seis localidades da ilha Terceira.
Segundo um comunicado da Secretaria Regional da Agricultura e Alimentação, as libertações ocorreram nas “áreas estratégicas” da ilha Terceira de Arrochela, Biscoitos, Quatro Ribeiras, Vinha Brava, Terra Chã e Penha de França.
Nestes locais foram largados 1.140 parasitóides, distribuídos por seis conjuntos de 190 exemplares (120 fêmeas e 70 machos cada).
O secretário regional da Agricultura e Alimentação, António Ventura, citado na nota, refere que a intervenção representa “um passo importante na proteção do património agrícola regional e na defesa de uma cultura com forte valor económico, social e identitário para várias comunidades açorianas”.
A ação decorre no âmbito de um contrato celebrado entre a Direção Regional da Agricultura, Veterinária e Alimentação e a Fundação Gaspar Frutuoso, representando um investimento do executivo açoriano na ordem dos 71.920 euros.
O objetivo primordial é “realizar uma avaliação de risco rigorosa sobre a introdução deste agente e testar a sua adaptação e eficácia nas condições edafoclimáticas dos Açores”, indicou.
“Estamos a desenvolver, em parceria com a Universidade dos Açores, uma experimentação que inclui a avaliação de risco associada à introdução deste parasitóide de controlo biológico. Trata-se de uma estratégia que visa proteger os produtores, preservar os castanheiros e assegurar a continuidade desta cultura para as gerações futuras”, disse o governante.
A luta biológica com recurso ao ‘Torymus sinensis’ é hoje “reconhecida internacionalmente como o método mais eficaz e sustentável para o controlo desta praga, sendo já utilizado com sucesso no resto do território nacional desde 2015”.
Com esta iniciativa técnica e científica, o Governo dos Açores reforça o seu compromisso com a proteção fitossanitária das culturas regionais, assegurando “soluções seguras” para salvaguardar a biodiversidade dos ecossistemas e a rentabilidade do setor agrícola.
A vespa do castanheiro é originária da China e foi detetada pela primeira vez no país (continente e Madeira) em 2014.
Trata-se de uma espécie invasora que ataca os gomos e folhas do castanheiro, provocando a formação de galhas que afetam gravemente a produção e a qualidade da castanha, podendo conduzir ao declínio progressivo da árvore.
O Governo dos Açores indica que, até ao momento, os serviços da tutela “têm atuado, essencialmente, através da monitorização e erradicação manual destas galhas”.
Apesar de a área de produção de castanha nos Açores ser relativamente reduzida (cerca de 1.589 hectares), a cultura “representa um nicho de mercado muito relevante e um património agrícola de excelência”, referiu.
De acordo com a nota, na ilha Terceira, no grupo Central, a castanha mantém uma forte e antiga tradição em freguesias como Terra Chã, São Pedro, Posto Santo, São Mateus e São Bartolomeu.
Em novembro de 2024, o presidente da Frutercoop – Cooperativa de Hortofruticultores da Ilha Terceira, Paulo Rocha, disse à agência Lusa que a produção de castanha na ilha está a diminuir devido a pragas e a doenças nos castanheiros.
Segundo o dirigente, em 2020 e 2021 (últimos melhores anos de safra), a produção de castanha comercializada pela cooperativa rondava as sete toneladas, mas este valor tem vindo a baixar de então para cá “devido a problemas relacionados com pragas e doenças”.
“A praga do bichado da castanha [‘Cydia splendana’] em anos favoráveis pode levar a prejuízos na ordem dos 38% e as doenças da tinta e do cancro também têm enfraquecido as plantas. Em 2021 detetámos a presença da praga vespa das galhas do castanheiro [‘Dryocosmus kuriphilus’] e a doença podridão da castanha [‘Gnomoniopsis smithogilvyi’], situações novas na ilha Terceira”, disse o representante.














































