No mercado japonês do azeite virgem extra os volumes crescem com prudência, mas o valor dispara: compra-se menos azeite e compra-se cada vez melhor. É nesta deslocação para a qualidade, a origem e a história do produto que se abre o espaço mais interessante para os produtores internacionais, e o Japan Olive Oil Prize é a plataforma pensada para os ajudar a iniciar este percurso.

Importadores e jornalistas japoneses fotografam os azeites vencedores do JOOP 2026 durante a cerimónia de entrega de prémios.
Comprar melhor, não apenas mais
O traço que define hoje o mercado japonês do azeite não é tanto quanto se consome, mas como se escolhe. O consumidor japonês, desde sempre entre os mais exigentes do mundo, deixou de comprar genericamente «azeite» e começou a pedir aquele azeite em concreto: monovarietal ou coupage, biológico, de origem única, com um determinado perfil de polifenóis, talvez ligado à história de um lagar específico. A alavanca de fundo continua a ser a saúde (a associação entre virgem extra, dieta mediterrânica e longevidade está já enraizada no imaginário nipónico), mas transformou-se numa atenção quase enológica à qualidade e à proveniência.
Este palato cada vez mais educado gera dois fenómenos paralelos. Por um lado, a segmentação: a par dos azeites de supermercado prospera uma gama premium feita de virgens extra de elevado teor em polifenóis, certificações biológicas e garrafas de tiragem limitada. Por outro, a hibridação com o gosto local, com a difusão de azeites aromatizados pensados para a cozinha japonesa (com yuzu, wasabi, trufa) que levam o produto a novos usos quotidianos. Segundo a Grand View Research, dentro do setor é precisamente o segmento virgem e virgem extra que regista o crescimento mais rápido: o sinal mais claro de um mercado que se move para cima.
Um mercado que vale mais
Esta deslocação para a qualidade lê-se com clareza nos números, desde que se observem valor e volumes separadamente. Em 2024 o Japão importou cerca de 36.000 toneladas de azeite virgem extra por um valor de quase 384 milhões de dólares (dados do Banco Mundial com base no UN Comtrade, posição pautal 150910): face a 2023 os volumes recuaram ligeiramente (cerca de -5%), enquanto o valor disparou mais de 44%. Grande parte desse salto reflete a escalada dos preços mundiais do biénio 2022-2024 (o preço médio de importação passou de cerca de 6.900 para mais de 10.500 dólares por tonelada), e ao longo de 2025 os preços começaram a descer, à medida que a produção mundial recuperava. Mas, para além da conjuntura, permanece um dado estrutural: o mercado japonês está disposto a gastar mais em azeite, e continuará a fazê-lo.
As projeções confirmam-no. Segundo a Grand View Research, o valor do mercado japonês do azeite deverá atingir os 654 milhões de dólares até 2030, com uma taxa de crescimento anual composta de 7,1% entre 2024 e 2030; estimativas independentes da IMARC Group apontam para uma trajetória análoga, na ordem dos 6,7% ao ano até 2032. E a margem de expansão continua ampla: o consumo per capita, segundo o International Olive Council, ronda os 0,4 kg por ano, uma fração do mediterrânico. Num país que ainda compra pouco azeite mas com crescente discernimento, cada novo passo de consumo tenderá a premiar a gama alta mais do que a de base.
O impulso espanhol e o espaço do premium
Quem tornou possível este mercado foi sobretudo a Espanha, grande motor desse crescimento. Em 2024 exportou para o Japão mais de 20.000 toneladas de virgem extra por cerca de 204 milhões de dólares (mais de metade do mercado), graças a preços acessíveis e a uma capacidade produtiva que tornou o azeite um produto de uso quotidiano para milhões de famílias japonesas. Segue-se a Itália, com cerca de 11.800 toneladas (138 milhões de dólares): juntos, os dois países cobrem a quase totalidade do azeite importado (fontes: Banco Mundial/UN Comtrade e IndexBox). É sobre estas bases, um mercado já maduro e familiarizado com o azeite, que se enxerta a fase seguinte.
E é a fase em que o valor conta mais do que o volume. Com um segmento de grande consumo sólido e bem servido, o impulso para cima abre um espaço novo, acessível a produtores de qualquer origem e dimensão (das excelências italianas e espanholas de gama alta às realidades emergentes de dezenas de países), capazes de se distinguirem pela qualidade, pela origem e pela história do produto. Aqui, porém, o mercado japonês pede paciência: o canal de distribuição local funciona com base em relações de confiança construídas ao longo do tempo e abre-se a quem sabe demonstrar constância, seriedade e sensibilidade ao gosto japonês. A qualidade é o ponto de partida, mas por si só raramente basta para se dar a conhecer: para que um bom azeite encontre o seu caminho até às prateleiras japonesas são precisos tempo, presença constante e as ocasiões certas de encontro com importadores, distribuidores e meios de comunicação.
O JOOP: construir credibilidade no segmento que conta

É precisamente essa passagem, da qualidade do produto à presença no mercado, que o Japan Olive Oil Prize (JOOP) se propõe acompanhar. Ativo há mais de uma década, o prémio nasceu não como uma simples competição, mas como uma infraestrutura de acesso ao mercado, calibrada precisamente para esse consumidor premium que hoje é o seu motor.
O mecanismo foi pensado para transformar um prémio em relações concretas. No JOOP Open Day, mais de cem importadores, distribuidores e jornalistas japoneses provam, num único dia, exclusivamente os azeites premiados, com códigos QR que remetem para a ficha de cada produto (história do produtor, notas de prova, contactos diretos), reduzindo a distância entre quem produz e quem compra. Os vencedores são depois levados à Foodex Japan, a maior feira do setor food & beverage da Ásia, e tornam-se protagonistas de masterclasses em prestigiados institutos culinários japoneses: ocasiões que, mais do que vender a garrafa em si, constroem ao longo do tempo uma cultura do produto e, com ela, uma procura qualificada.
Não por acaso a estrutura do prémio fala a língua da gama alta. Os azeites concorrem em categorias que valorizam exatamente o que o consumidor japonês procura hoje: monovarietal, biológico, D.O.P., I.G.P., aromatizados. A par das pontuações de mérito (Silver e Gold Prize, com a menção Best in Class para as excelências), o JOOP atribui um Best of Country ao melhor azeite de cada país e um Design Award dedicado à embalagem, que para o olhar japonês conta tanto como o conteúdo. A edição de 2026 alcançou um recorde de participação, com 691 azeites virgem extra em prova provenientes de 26 países, e as distinções Best of Country premiaram produtores de três continentes.

O Panel Leader Antonio G. Lauro durante a sessão de prova do JOOP 2026.
A avaliação dos azeites, através de provas cegas realizadas segundo as normas europeias, esteve a cargo de um júri internacional. À frente, os três panel leaders da edição de 2026: Antonio G. Lauro (Itália), consultor de azeite virgem extra, jornalista e panel leader internacional; Fernando Martínez Román (Espanha), responsável pelo lagar experimental do Instituto de la Grasa de Sevilha; e Miciyo Yamada (Japão), jornalista e provadora oficial MIPAAF. Completavam o painel Birsen Can (Turquia), Hideaki Shibata (Japão), Marcelo Scofano (Brasil), Na Xie (China), Hiromi Nakamura (Japão), Mariko Shimada (Japão), Sonda Laroussi (Tunísia), Anita Zachou (Grécia) e Jiwon Kwak (Coreia do Sul).
O calendário olha já para 2027: as inscrições encerram a 7 de maio, ao passo que a cerimónia de entrega de prémios está marcada para 28 de maio de 2027, em Tóquio. Para um produtor que olha para o Japão não como um mercado qualquer, mas como a praça onde a qualidade é verdadeiramente reconhecida e paga, o JOOP é a oportunidade de transformar a excelência do seu azeite naquilo que mais conta nesse mercado: a credibilidade.
Fonte: JOOP















































