O Centro de Competências para o Tomate Indústria (CCTI) lançou recentemente o documento técnico ““Proteção da cultura de tomate para indústria – Desafios e soluções: contribuição do GO QUALITOMATE”, que compila os principais resultados e soluções desenvolvidos no âmbito do Grupo Operacional (GO) Qualitomate. Destinada a produtores e técnicos agrícolas, a publicação apresenta estratégias de avaliação de risco e ferramentas de decisão para melhorar a gestão de pragas na cultura do tomate para indústria, visando garantir a competitividade do setor e a redução do impacto ambiental.
A produção de tomate para indústria em Portugal, concentrada essencialmente na região do vale do Tejo, tem enfrentado desafios significativos devido às alterações climáticas e à incidência de pragas-chave, como a mosca-branca, a traça-do-tomateiro e os ácaros. Estes inimigos afetam severamente a área foliar das plantas no final da campanha, o que prejudica a qualidade do fruto e aumenta os encargos dos produtores com tratamentos fitossanitários. O manual agora publicado pretende responder a esta problemática ao disponibilizar métodos expeditos de estimativa do risco.
A obra detalha a morfologia, a biologia e a sintomatologia associada aos principais inimigos da cultura, dedicando também uma secção a pragas emergentes que ameaçam o setor, como o Thrips parvispinus e a Spodoptera frugiperda. Para otimizar o combate a estas ameaças, o manual recomenda protocolos rigorosos de amostragem e a adoção dos princípios da proteção integrada. Fátima Alves, técnica de uma das organizações de produtores envolvidas, salienta que o conhecimento do histórico fitossanitário e a análise meteorológica “deverá permitir a redução do número de plantas que se observam em campo, tornando mais expedita a estimativa de risco”.
Financiado pelo PDR2020, o projeto GO Qualitomate resultou de um consórcio que uniu a investigação, as associações e o setor empresarial, integrando entidades como o ISA, IPSantarém-ESA, COTHN-CC, INIAV, FNOP, e empresas produtoras e transformadoras. Sofia Stilwell, do Grupo HIT, reforça a importância desta união e da inovação tecnológica: “O uso de variedades de tomate resistentes, coordenado com sistemas de monitorização (…) continuam a ser ferramentas fundamentais, sem as quais não seria possível garantir a sobrevivência do sector”.
O “Proteção da cultura de tomate para indústria – Desafios e soluções: contribuição do GO QUALITOMATE” já se encontra disponível para partilha e consulta entre os profissionais do setor, afirmando-se como um recurso estratégico para manter a excelência e a sustentabilidade do tomate processado português nos mercados internacionais.
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O artigo foi publicado originalmente em Rede Rural Nacional.
















































