A Organização Europeia de Ciência das Plantas (EPSO) apresentou recomendações à Comissão Europeia para reforçar o contributo da investigação vegetal para uma bioeconomia competitiva e sustentável, defendendo, entre outras medidas, a simplificação dos processos de aprovação das Novas Técnicas Genómicas (NTG).
✍️ Carla Amaro
A ciência das plantas pode desempenhar um papel determinante na concretização da estratégia europeia para uma bioeconomia competitiva e sustentável. Esta é uma das principais mensagens da posição divulgada ontem pela Organização Europeia de Ciência das Plantas (EPSO), que apresentou um conjunto de recomendações para reforçar o contributo da investigação vegetal para as prioridades estratégicas da União Europeia.
A EPSO considera que a bioeconomia não representa apenas uma resposta aos desafios ambientais, constituindo também um investimento estratégico na prosperidade, na resiliência e na segurança económica da Europa.
Na sua posição, a organização identifica várias oportunidades para valorizar o conhecimento científico sobre as plantas e acelerar a sua aplicação em diferentes setores da economia.
Mais investimento na investigação e na inovação
Entre as recomendações apresentadas à Comissão Europeia está o reforço da investigação sobre processos de produção de base vegetal, tendo em conta a sua viabilidade económica e ambiental, a escala de produção e os custos associados ao transporte de biomassa.
A EPSO defende igualmente a criação de ambientes de experimentação que permitam desenvolver e testar tecnologias de produção em fábricas de plantas e sistemas de agricultura molecular vegetal.
Estas infraestruturas poderão contribuir para aproximar a investigação científica das aplicações industriais, facilitando o desenvolvimento de novos produtos e processos de base biológica.
Simplificar a aprovação das novas técnicas genómicas
A regulamentação das novas técnicas genómicas (NTG) é outro dos temas abordados pela EPSO. A organização recomenda a simplificação e a aceleração dos procedimentos de aprovação das NTG e das plantas geneticamente modificadas, defendendo igualmente o desenvolvimento de critérios de avaliação adequados para novos alimentos, plantas obtidas por edição genética e organismos geneticamente modificados.
Estas recomendações surgem num contexto de evolução do enquadramento regulamentar europeu das NTG e de debate sobre as condições necessárias para promover a inovação no setor agrícola e agroalimentar.
Produtos de base vegetal nas compras públicas
A EPSO propõe ainda que os produtos resultantes da agricultura molecular vegetal e das fábricas de plantas sejam considerados nas políticas de contratação pública ecológica da União Europeia.
A organização pretende também reforçar a participação da comunidade científica nas estruturas europeias de consulta sobre economia circular e bioeconomia, de forma a assegurar que o conhecimento científico é devidamente considerado na definição e aplicação das políticas públicas.
Uma oportunidade para a investigação europeia
Com estas recomendações, a EPSO pretende contribuir para que a ciência das plantas tenha um papel mais relevante na concretização da estratégia europeia para a bioeconomia.
O documento sublinha a importância de criar condições para transformar o conhecimento científico em soluções aplicáveis, promovendo a inovação, a competitividade e a sustentabilidade em diferentes setores.
A implementação destas propostas dependerá das decisões da Comissão Europeia e dos Estados-Membros, bem como dos instrumentos de financiamento e dos enquadramentos regulamentares que vierem a ser adotados.
Mais informação em EPSO – European Plant Science Organisation, Contributions from plant research and innovation to implementing the Strategic Framework for a Competitive and Sustainable EU Bioeconomy, 1 de outubro de 2026.
O artigo foi publicado originalmente em CiB – Centro de Informação de Biotecnologia.















































