O projeto europeu HelEx combina melhoramento convencional, genómica e edição genética para desenvolver variedades de girassol mais resilientes às alterações climáticas. A investigação procura também melhorar a qualidade das sementes e favorecer os polinizadores.
✍️ Carla Amaro
Uma resposta aos desafios climáticos
O aumento das temperaturas e a crescente irregularidade da precipitação estão a colocar novos desafios à produção de girassol na Europa. Para responder a estes problemas, o projeto europeu HelEx está a desenvolver variedades capazes de suportar melhor a seca e o calor, recorrendo à diversidade genética de espécies silvestres de girassol e a diferentes ferramentas de melhoramento vegetal.
Financiado pelo programa Horizonte Europa e coordenado pelo Instituto Nacional de Investigação para a Agricultura, Alimentação e Ambiente de França (INRAE), o projeto procura acelerar o desenvolvimento de variedades adaptadas às condições climáticas futuras, sem descurar a produtividade e a sustentabilidade da cultura.
A diversidade genética ao serviço do melhoramento vegetal
Uma das estratégias do HelEx consiste em aproveitar as características de espécies silvestres de Helianthus, algumas das quais estão naturalmente adaptadas a ambientes áridos e a temperaturas elevadas.
Os investigadores estão a identificar variantes genéticas associadas à tolerância ao stress hídrico e térmico, que poderão ser introduzidas em variedades de interesse agrícola.
Para isso, o consórcio combina métodos de melhoramento convencional, seleção assistida por marcadores moleculares, genómica e edição genética. Esta abordagem integrada permite identificar características de interesse e acelerar a sua incorporação nos programas de melhoramento.
Ensaios de campo em cinco países europeus
O projeto já identificou materiais genéticos e genes candidatos associados à tolerância à seca e ao calor. Os materiais desenvolvidos estão a ser avaliados em ensaios de campo em França, Alemanha, Hungria, Roménia e Sérvia, de modo a determinar o seu desempenho em diferentes condições ambientais.
O objetivo é verificar se as características identificadas em laboratório e durante as fases iniciais do melhoramento se traduzem numa maior resiliência das plantas em condições reais de produção.
O projeto HelEx, iniciado em maio de 2023 e com conclusão prevista para abril de 2027, envolve instituições de investigação e empresas europeias de melhoramento vegetal.
Mais do que resistência à seca
A investigação não se limita à adaptação climática. O HelEx está também a estudar características que podem beneficiar os polinizadores, nomeadamente a coloração ultravioleta das flores e a composição do néctar.
Paralelamente, os investigadores estão a explorar o potencial de variedades com maior teor de proteína nas sementes, procurando identificar novas oportunidades para a valorização alimentar do girassol.
Estas linhas de investigação refletem uma abordagem que procura conciliar a produtividade agrícola com a biodiversidade e a utilização mais eficiente dos recursos.
Uma cultura estratégica para a Europa
A Europa é uma das principais regiões produtoras de girassol a nível mundial, pelo que a adaptação desta cultura às alterações climáticas tem implicações para a produção agrícola e para o abastecimento de óleos vegetais.
Os resultados do HelEx poderão contribuir para o desenvolvimento de variedades mais adaptadas às condições futuras. Contudo, a sua utilização comercial dependerá da validação agronómica dos materiais e das etapas subsequentes de melhoramento e registo.
Mais informação em CORDIS – Comissão Europeia, A bright future for drought-resistant sunflowers, atualizado a 22 de setembro de 2026.
O artigo foi publicado originalmente em CiB – Centro de Informação de Biotecnologia.















































