O Zimbábue vai lançar um programa nacional de sementeira de nuvens no dia 01 de novembro para aumentar as chuvas e contrariar os efeitos do fenómeno climático “Super Niño”, anunciou hoje o Governo.
O ministro da Agricultura, Mecanização e Desenvolvimento dos Recursos Hídricos do Zimbábue, Anxious Masuku, afirmou, numa conferência de imprensa, na capital, que a operação de chuva artificial visa dar resposta às projeções de seca extrema após os alertas emitidos pelas agências meteorológicas internacionais.
“Perante os alertas sem precedentes sobre um ‘Super Niño’ emitidos pelas agências climáticas globais, o Governo está a intensificar as medidas de mitigação, incluindo a sementeira de nuvens, para aumentar a probabilidade de ocorrência de chuvas”, afirmou Masuku.
Para o efeito, serão utilizadas três aeronaves, com base em três cidades principais – Harare, Bulawayo e Masvingo -, com o objetivo de cobrir todas as províncias agrícolas do país, e surtir o efeito desejado na estação de chuvas 2026-2027, que ocorre entre novembro e março, prolongando-se às vezes para o mês de abril.
O Governo mobilizou ainda uma frota de ‘drones’ (aeronaves não tripuladas) e suporte de dados de dois satélites da agência espacial nacional.
Contudo, a sementeira de nuvens é apenas um dos pilares de uma resposta governamental mais ampla, que inclui a ampliação das reservas estratégicas de cereais, “reabilitação de sistemas de irrigação e aposta em culturas tolerantes à seca”, explicou o ministro.
As últimas previsões climáticas indicam que o fenómeno El Niño provocará chuvas irregulares, secas prolongadas e um aumento da temperatura entre 2 e 4 graus acima das médias históricas, tanto no Zimbábue como no resto da África Austral.
O país já sofreu uma grave seca induzida pelo El Niño na época de 2024-2025, que provocou escassez de alimentos e levou o Presidente, Emmerson Mnangagwa, a declarar o estado de calamidade pública, medida também adotada pelos governos do Maláui e da Zâmbia.
O El Niño é uma perturbação da dinâmica atmosférica provocada pelo aquecimento do Oceano Pacífico. Embora normalmente provoque secas intensas na África Austral, gera chuvas torrenciais na África Oriental.














































