Um projeto-piloto de cercas virtuais e coleiras eletrónicas para monitorizar o gado à distância e em tempo real vai ser implementado no Norte de Portugal e Galiza e apresentado a 08 de outubro, em Montalegre.
O projeto GEXPOCTEP quer implementar um modelo de pecuária extensiva inteligente que funcionará como um corta-fogo natural para prevenir incêndios, recorrendo ao pastoreio dirigido para controlar, de forma ecológica, a biomassa florestal.
Nuno Sousa, da Cooperativa Agrícola do Barroso (CoopBarroso), afirmou hoje à agência Lusa que o objetivo é fazer a gestão de combustível de áreas em baldio, porque o que tem “acontecido é que as áreas de pastoreio em baldio têm aumentado e o efetivo tem diminuído”.
“E o projeto vai fazer com que nós consigamos ter mais animais em baldio a fazer a gestão de combustível, isso através da monitorização desses próprios animais, porque muitas vezes os animais não vão para a serra porque não há mão-de-obra”, salientou.
A monitorização do gado vai ser feita através de coleiras de vedação virtual nas pastagens-piloto, localizadas no território da Reserva da Biosfera Transfronteiriça Gerês-Xurés, que se estende entre o Norte de Portugal e a Galiza.
Vai-se trabalhar com raças autóctones de gado bovino e equino destes territórios, como a barrosã, a cachena, puraga e garrano.
O projeto quer mitigar o abandono das terras e a elevada incidência dos incêndios florestais e, para o efeito, vai ser implementado um modelo de pecuária extensiva inteligente que funcionará como um corta-fogo natural, recorrendo ao pastoreio dirigido para controlar, de forma ecológica, a biomassa florestal.
“Desta forma, conseguindo através das coleiras eletrónicas e do ‘software’ monitorizar os animais, acaba por fazer com que seja uma atividade mais atrativa para os jovens, uma vez que eles conseguem ter efetivos maiores, em áreas baldias que não são devidamente aproveitadas nessa altura e geram combustível e daí os incêndios”, referiu Nuno Sousa.
O responsável destacou que, para além de se conseguir rentabilizar melhor as explorações agrícolas, também se consegue fazer uma melhor gestão do combustível e, assim, contribuir para o meio ambiente.
Nuno Sousa explicou que vão ser selecionadas áreas que serão pastoreadas num sistema de rotação.
“Esses animais são monitorizados através de uma coleira eletrónica que nos permite, através de um ‘software’, controlar onde queremos os animais, quanto tempo e mudá-los de parcela para parcela de forma a fazermos a gestão desse combustível”, apontou.
Reforçou que, com o ‘software’ instalado num telemóvel e com as coleiras, se consegue fazer com que os animais permaneçam em determinada área o tempo que se pretende, mudando-as sucessivamente de parcela para parcela, sem necessidade de infraestruturas físicas.
“Não necessitando [o produtor] de ir propriamente ao campo ou ao baldio para fazer esse serviço”, referiu Nuno Sousa.
E, através da aplicação de novas tecnologias, pretende-se atrair mais jovens para esta atividade.
“Para além de conseguirmos manter as pessoas no território, também conseguimos rentabilizar as explorações dessas mesmas pessoas, atrair jovens e ao mesmo tempo contribuir para o ambiente e para a manutenção dos territórios”, frisou.
O projeto é financiado pelo programa Interreg, tem um orçamento total de 2,3 milhões de euros e junta um consórcio internacional liderado pela galega Fundación Centro Tecnolóxico da Carne (CTC).
Em Portugal, para além da CoopBarroso, integram ainda o GEXPOCTEP – “Inovação e sustentabilidade em pecuária autóctone para a preservação ambiental na fronteira hispano-lusa”, a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), entre outros.
O projeto vai ser apresentado a 08 de outubro, em Montalegre, distrito de Vila Real, e deverá ser executado até ao final de 2028.















































