A Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) acusou hoje o Governo de “abandonar quem o ajudou” e diz que a confiança entre o setor e o executivo foi quebrada face à ausência de respostas à crise que atravessam.
No editorial da última revista da CAP, o secretário-geral desta confederação, Luís Mira, acusou o Governo de esquecer e abandonar “quem o ajudou”, assinalando que o executivo de Luís Montenegro chegou ao poder “com o apoio explicito” do setor.
“[…] Quebrou-se a confiança neste Governo”, avisou.
O secretário-geral da CAP disse que os fogos que se verificaram na Alemanha, França, Irlanda, Hungria, Bélgica e alguns países do Norte da Europa obrigaram Bruxelas a apresentar uma proposta de criação de um mecanismo europeu de gestão integrada para prevenção e combate dos fogos florestais.
Esta iniciativa, conforme apontou, exige que os Estados-membros criem uma estrutura nacional para aproveitar os conhecimentos que vão ser disponibilizados pela União Europeia.
Para Luís Mira, Portugal não pode continuar sem um corpo de intervenção para os fogos e outras catástrofes.
A isto soma-se a crise gerada pelo preço dos combustíveis, que começou em março.
Em setembro, o Governo anunciou um apoio de 10 cêntimos, com retroativos ao final de junho.
“Enquanto Portugal mostra o seu desinteresse, Espanha está a apoiar os seus agricultores com pacotes de medidas desde março, reforçadas no trimestre abril-junho e, novamente em agosto-setembro”, sublinhou.
Por outro lado, destacou a CAP, o executivo espanhol atribuiu um complemento aos fertilizantes no valor de 650 milhões de euros, abaixo dos 20 milhões de euros concedidos por Portugal.
“Se quisermos comparar com o último Governo socialista – que a CAP tanto criticou – este atribuiu 180 milhões de euros”, lamentou.
O secretário-geral da CAP criticou ainda o facto de Portugal não utilizar as verbas disponibilizadas pela União Europeia em dois mecanismos, em que uma parte da verba é totalmente comunitária, mas permite que cada Estado-membro complete até 200% do valor atribuído pela União Europeia.
“Pela primeira vez, em quase quatro décadas de PAC [Política Agrícola Comum] no país, Portugal não vai comparticipar com o montante nacional no limite do regulamento, colocando-nos, assim, em mais uma desvantagem perante todos os agricultores europeus”, assinalou.
A CAP convocou o seu conselho de presidentes para uma reunião extraordinária, na sua sede, na próxima segunda-feira, perante a falta de “apoios robustos” que ajudem o setor a enfrentar o aumento do custo com os fatores de produção.
Este órgão consultivo máximo agrega os presidentes das associações dos setores agrícola, florestal e pecuário.















































