A Associação de Agricultores de Abrantes defendeu hoje a intervenção na Ribeira de Alcolobre como “necessária” e benéfica para o território, enquanto o presidente da Câmara de Constância admitiu que a imagem “choca” e reclamou a reposição da vegetação.
Em declarações à Lusa, o presidente da Associação de Agricultores dos concelhos de Abrantes, Constância, Sardoal e Mação, Luís Damas, sustentou que os trabalhos integram um projeto agrícola de instalação de um olival e que a intervenção na linha de água “ainda não está acabada”, estando prevista a plantação de árvores ripícolas para recuperação das margens.
A intervenção incidiu num troço de cerca de 300 metros da Ribeira de Alcolobre, entre os concelhos de Abrantes e Constância, no distrito de Santarém, onde foram efetuados trabalhos de desassoreamento, reforço das motas de proteção e remoção praticamente integral da vegetação existente nas margens, uma alteração da paisagem que originou contestação pública e um intenso debate nas redes sociais.
“O projeto é muito interessante para a região. São empresários agrícolas destes que a região precisa, empreendedores sem medo de arriscar, que investem no território e lhe dão mais-valia”, afirmou Luís Damas, considerando que a limpeza do troço da ribeira era “necessária” após “40 ou 50 anos de abandono”.
Segundo o dirigente associativo, o aspeto atual da ribeira corresponde apenas a uma primeira fase da obra, estando prevista, na próxima época de plantação, a colocação de salgueiros, amieiros e outras espécies ripícolas.
“Agora custa ver, choca, mas daqui a um ano a situação será diferente. A natureza também fará o seu trabalho e haverá reposição da vegetação”, afirmou.
Na terça-feira, a Câmara de Abrantes revelou à Lusa que a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) informou o município de que não existia qualquer processo de licenciamento para aqueles trabalhos, tendo desencadeado uma ação de fiscalização.
Já hoje, o presidente da Câmara de Constância, Sérgio Oliveira, confirmou que o município também desconhecia a realização da intervenção.
“Conhecimento prévio não tínhamos. Fomos alertados por um munícipe e, depois de confirmar que também Abrantes desconhecia a situação, pedimos esclarecimentos à APA e enviámos a fiscalização municipal ao local”, afirmou Sérgio Oliveira.
O autarca disse que os fiscais municipais encontraram técnicos da APA na ribeira e que o município acompanhará o processo.
“Aquilo choca. Estamos habituados a ver aquela ribeira verdejante e agora vemos um troço sem vegetação nas margens. Saber se a intervenção foi feita de acordo com a lei é uma questão técnica que compete à APA”, declarou.
Sérgio Oliveira defendeu que o essencial passa por recuperar aquele troço da linha de água, “com a reposição das árvores e dos arbustos próprios das linhas de água”, e apelou a que se aguardem as conclusões técnicas da autoridade ambiental.
Já Luís Damas admitiu que poderá ter existido “alguma falta de comunicação” relativamente ao projeto.
“Se calhar houve aqui uma falta de comunicação, da associação e do promotor. Como mexeu numa linha de água, talvez tivesse sido necessário explicar melhor o projeto”, reconheceu.
O dirigente rejeitou, contudo, as críticas mais severas à intervenção, defendendo que foram removidas sobretudo acácias, espécie invasora, e que os trabalhos permitirão reduzir o risco de inundações e recuperar solos agrícolas.
Luís Damas mostrou-se ainda convicto de que, concluída a recuperação das margens, “daqui a um ano” a Ribeira de Alcolobre apresentará uma imagem substancialmente diferente da atual.
Contactada pela Lusa, a Agência Portuguesa do Ambiente não respondeu, até ao momento, às questões colocadas sobre o enquadramento legal da intervenção, as diligências de fiscalização efetuadas e as eventuais medidas a adotar.
Fonte oficial da Urbigav, promotora do investimento agrícola, declinou prestar esclarecimentos por entender que “o momento não é propício a comentários”.













































