Não é habitual que quatro ministros de diferentes continentes coincidam num congresso dedicado ao setor olivícola. O Olive Oil World Congress (OOWC) conseguiu-o. A sua segunda edição, realizada em Lisboa nos dias 2 e 3 de julho, reuniu quase 380 profissionais de 43 países e contou com a participação ativa de José Manuel Fernandes (Agricultura e Assuntos Marítimos, Portugal), Anton Refalo (Agricultura, Pescas e Direitos dos Animais, Malta), Rezq Salimiya (Agricultura, Estado da Palestina) e Rana Tanveer Hussain (Segurança Alimentar Nacional e Investigação, Paquistão), para além do conselheiro da Agricultura de Castilla-La Mancha, Julián Martínez Lizán, e do diretor executivo do Conselho Oleícola Internacional (COI), Jaime Lillo.
A ampla representação institucional e a participação de profissionais provenientes de 43 países, incluindo os principais produtores mundiais de azeite, permitiram alcançar um consenso que será materializado no Manifesto de Lisboa, um documento aberto a futuros contributos, elaborado a partir das comunicações científicas, dos debates técnicos e dos encontros institucionais realizados durante o Congresso.
Concebido como uma folha de rumo para o setor olivícola mundial, o documento será colocado ao serviço das administrações públicas, dos organismos internacionais e dos operadores de toda a cadeia de valor.
“O Manifesto de Lisboa reflete a maturidade alcançada pelo Olive Oil World Congress enquanto espaço de diálogo e cooperação. Queremos que seja um documento útil, aberto e dinâmico, capaz de orientar as decisões do setor com base no conhecimento científico e num consenso verdadeiramente internacional”, afirma Ricardo Migueláñez, coordenador-geral do OOWC.
A mensagem central do Manifesto é clara: a saúde constitui o maior valor que o azeite oferece ao mundo. Trata-se de uma convicção sustentada por décadas de investigação científica que, na opinião dos participantes, deverá orientar as políticas públicas, a investigação e a comunicação do setor. O documento nasce com vocação de continuidade, assumindo-se como um texto vivo, aberto a novos contributos de especialistas e dos países participantes.
Duas jornadas de elevada intensidade: da inteligência artificial no olival ao Manifesto de Lisboa
A conferência inaugural, proferida pelo cientista Fabrice DeClerck, definiu o tom das jornadas: o azeite como modelo na transição global para dietas mais saudáveis e o olival como sistema agrícola capaz de capturar carbono e reforçar a biodiversidade quando são adotadas práticas regenerativas.
A segunda jornada colocou a inovação no centro do debate. Os especialistas confirmaram que a inteligência artificial é já a tecnologia mais disseminada no olival, com plataformas de gestão digital que permitem planear os trabalhos agrícolas com um nível de precisão até agora inacessível para a maioria dos olivicultores. Os debates abordaram igualmente a economia circular — com o bagaço de azeitona, as águas residuais e o caroço de azeitona a surgirem como novas fontes de valorização —, a adaptação às alterações climáticas através da genética avançada e da rega inteligente, as estratégias globais de promoção do azeite virgem extra (AOVE) e as mais recentes evidências científicas sobre os seus benefícios para a saúde.
Relativamente aos mercados, Jaime Lillo, diretor executivo do COI, salientou que um em cada três litros de azeite produzidos na região mediterrânica é já consumido fora desta região, uma tendência que transforma a cooperação internacional numa exigência estratégica para o setor olivícola.
A dimensão global do encontro refletiu-se igualmente na composição dos participantes. Portugal constituiu a delegação mais numerosa, com 124 profissionais, seguido de Espanha, com 84. Estiveram ainda representados alguns dos principais países produtores de azeite, como Marrocos, Itália, Grécia, Tunísia, Argélia, Estado da Palestina, Jordânia, Egito, Líbano ou Irão, bem como mercados estratégicos como a Malásia, os Estados Unidos, a Alemanha, o Brasil, os Países Baixos, o Chile, a Nigéria, a Argentina e a Austrália.
O OOWC contou igualmente com a presença de uma delegação da Women in Olive, a rede internacional que promove a liderança feminina no setor olivícola. Durante o Congresso, ambas as organizações anunciaram o início de uma colaboração que se concretizará em iniciativas conjuntas ao longo dos próximos meses.
Um impacto mediático sem precedentes em Portugal
A dimensão internacional do Congresso refletiu-se igualmente na cobertura mediática. O OOWC gerou cerca de 40 impactos diretos em mais de 20 órgãos de comunicação social portugueses, um alcance sem precedentes para um evento desta natureza em Portugal.
Entre os títulos publicados destacaram-se: “Lisboa, capital mundial do azeite”, “Azeite português entre os melhores do mundo mas há espaço para crescer”, “Drones, IA e lagares automatizados: a revolução tecnológica já chegou ao olival” e “Futuro do azeite depende de inovação, tradição e investimento”.
A segunda edição do Olive Oil World Congress consolida o crescimento desta iniciativa e inaugura uma nova etapa com o desenvolvimento do Manifesto de Lisboa, que pretende tornar-se um documento de referência para reforçar a cooperação internacional e enfrentar os grandes desafios do setor olivícola.
O Congresso contou com o apoio institucional do Conselho Oleícola Internacional (COI), do CIHEAM Zaragoza e da Fundação Dieta Mediterrânica, bem como de entidades públicas como o Ministério da Agricultura e Assuntos Marítimos de Portugal, a Junta de Castilla-La Mancha (“Campo y Alma”), a Generalitat da Catalunha, a Junta da Andaluzia e o IMIDRA.
No setor privado apoiam, para já, esta segunda edição, para além da Olivum, entidades como a AgroBank, o BPI do Grupo CaixaBank, a Interprofesional del Aceite de Oliva Español, a GEA Group, a Novonesis-Univar Solutions, a APOAC (Associação para a Promoção do Olival e Azeite de Aire e Candeeiros), através da sua marca comercial “Olivedos do Carso”, a Adsaica (Associação de Desenvolvimento das Serras de Aire e Candeeiros), a Feria de Zaragoza (ENOMAQ), a Kubota, a Dazeite e a Siliker.
Fonte: OOWC













































