O pessoal ao serviço nas empresas cresceu 9% em dez anos, atingindo 98,1 mil profissionais em 2024, mas a tendência recente da população empregada revela um declínio depois do pico pós-pandemia.
O número de empresas na indústria alimentar cresceu 3% na última década, passando de 9.289 para 9.582, numa recuperação constante após a quebra de 2020 devido à pandemia COVID-19.
O fabrico de outros produtos alimentares liderou o crescimento de empresas no setor, com um aumento de 54,2%, em contraste com perda de um terço das empresas da transformação de cereais e leguminosas.
A remuneração média sectorial subiu 47,8% em dez anos (fixando-se em 1.413,31€), a produção de óleos e gorduras lidera com 1.966,25€, enquanto a padaria regista a base com 1.206,67€.
O setor destaca-se por uma paridade de género (51% de homens e 49% de mulheres), contrariando a maior masculinização do resto das indústrias transformadoras.
LISBOA, 18 de junho 2026 – A mais recente análise da Randstad Research à indústria alimentar em Portugal revela que o pessoal ao serviço registado nas empresas cresceu 9% na última década, atingindo 98,1 mil profissionais, mas o emprego reflete uma trajetória de declínio gradual depois do pico pós-pandemia, fixando-se em 89,1 mil trabalhadores no fecho de 2025.
Este setor estratégico, que já representa 11,1% do total de profissionais em atividade nas indústrias transformadoras no país, consolidou o seu tecido empresarial com um total de 9.582 empresas e registou um impulso de 47,8% na remuneração média mensal. No setor industrial global, que empregava 15,9% do total de profissionais do país em 2025, a indústria alimentar destaca-se ainda pela resiliência e por uma quase perfeita paridade de género, contrariando a maior masculinização do resto das indústrias transformadoras.
Após uma quebra registada em 2021 (-12,3%), o setor atingiu um pico de recuperação em 2022. Contudo, a tendência inverteu-se nos anos seguintes, registando-se um declínio gradual até aos 91,1 mil empregados em 2025 e situando-se em 89,1 mil profissionais em atividade no final desse ano. Em paralelo, os dados do sistema de contas integradas mostram que o pessoal ao serviço nas empresas cresceu na década impulsionado pelo grupo de abate e conservação de carne, que se destacou como o maior motor absoluto ao registar um aumento de 38,3% e somar 6.015 pessoas. No tecido empresarial, o crescimento verificado entre 2014 e 2024 foi liderado pela fabricação de outros produtos alimentares (+54,2%) e pela preparação de frutos e hortícolas (+36,2%), enquanto se registou o recuo na panificação (-5,5%) e nos cereais e leguminosas (-33,2%).
A nível remuneratório, o salário médio mensal subiu 47,8% na década, fixando-se em 1.413,31€. O topo salarial pertence à produção de óleos e gorduras, atingindo os 1.966,25€ em 2024, e a base à fabricação de produtos de padaria (1.206,67€), embora o subsetor da padaria tenha liderado o ritmo de valorização com um aumento percentual de 62,6% no mesmo período. Por fim, o desemprego registado na atividade situou-se em 5.690 pessoas em abril de 2026, uma melhoria homóloga de 6,7%.
O desemprego do setor mantém-se estável em cerca de 2% do total nacional, mas é marcado por forte sazonalidade anual. Apesar de os volumes absolutos se concentrarem no Norte e em Lisboa e Vale do Tejo devido à densidade populacional, a relevância proporcional do desemprego do setor é significativamente superior nas Regiões Autónomas, representando 3,6% do desemprego total na Madeira e 2,9% nos Açores, face a apenas 1% registado no Algarve, segundo os dados do IEFP.
O pessoal ao serviço das empresas reflete o emprego registado diretamente através do tecido empresarial (Fonte: INE – Sistema de Contas Integradas das Empresas), enquanto a população empregada global mede o mercado sob uma perspetiva macroeconómica através de inquéritos aos agregados familiares (Fonte: INE – Inquérito ao Emprego / Eurostat).
Isabel Roseiro, Diretora de Marketing da Randstad Portugal, afirma que:
“A indústria alimentar em Portugal regista uma trajetória estável, com um incremento de 9% no emprego setorial ao longo da última década. No entanto, os indicadores de 2026 refletem assimetrias no mercado: a par da modernização tecnológica em novos segmentos, subsiste uma acentuada disparidade salarial interna e uma volatilidade sazonal e regional. Estes fatores condicionam a retenção contínua de profissionais, sobretudo nas Regiões Autónomas, tornando prioritária a valorização das carreiras nas áreas tradicionais do setor”.
Para mais informações, consulte o site https://www.randstad.pt/randstad-research/.
Fonte: Randstad














































