A Associação Distrital dos Agricultores de Coimbra (ADACO) lamentou hoje, perante uma comitiva do PCP, que os milhões de apoios prometidos “todos os dias” para responder à passagem das tempestades e à subida dos preços não chegaram ao terreno.
Os dirigentes da ADACO receberam, esta tarde, junto ao rio Mondego, na zona do troço da A1 que ruiu durante as tempestades de fevereiro, em Coimbra, uma comitiva do PCP composta pelo deputado Alfredo Maia e pelo antigo candidato presidencial comunista António Filipe, no segundo dia das jornadas parlamentares do partido.
Num momento em que os agricultores continuam a enfrentar as consequências da passagem do mau tempo que atingiu a região, a que se somou a subida dos preços devido ao conflito no Médio Oriente, Isménio Oliveira, coordenador da associação, lamentou o que considera ser uma uma disparidade entre o que é prometido pelo Governo e o que chega aos agricultores.
“Falam-se em milhões todos os dias, mas o que é certo é que ainda não chegou aos agricultores o apoio de 10 cêntimos por litro”, afirmou o agricultor, referindo-se ao apoio anunciado pelo Governo para a compra de gasóleo colorido, como resposta à subida dos preços.
Sobre os prejuízos causados pelas tempestades, Isménio Oliveira apontou que apenas foram pagos 1% a 2% das candidaturas feitas pelos agricultores para cobrir os prejuízos e questionou também a estratégia do executivo de limpeza dos terrenos florestais.
“Há 32 mil hectares de área florestal que foi afetada com as intempéries, há milhões de árvores no chão, e o Governo e o ICNF disseram que a prioridade deles é trabalhar em seis mil hectares. E portanto, quem é que vai tratar dos outros 28 mil hectares? Esta é que é a questão principal”, enfatizou.
Neste encontro com os comunistas, os agricultores referiram ainda o adiamento de uma obra para reparar as comportas da Maria da Mata, no vale do rio Pranto, apesar de as verbas já terem sido aprovadas.
Sobre estas queixas, o deputado comunista Alfredo Maia, aos jornalistas, afirmou que “confirmam o que o PCP tem vindo a denunciar”, acusando o Governo de “arregaçar as mangas para os vídeos e fazer muita propaganda” sem que isso sem que as medidas cheguem a quem necessita.
“Mais de quatro meses volvidos dos acontecimentos do Inverno, quer as tempestades, quer as cheias, a verdade é que os agricultores continuam sem ver as indemnizações chegar, e por este andar demorarão muito tempo a tardar e se calhar não chegarão”, criticou.
Depois de ouvir também críticas sobre a falta de manutenção do canal de rega e dos descarregadores do Mondego, Alfredo Maia acusou o Estado de se demitir das suas responsabilidades neste campo, lamentando que, mesmo após as tempestades, não tenha havido qualquer mudança na ação do Governo e da autarquia.
“Temos há muitos anos um claro abandono”, lamentou, juntando às críticas a intenção do Governo de reestruturar a Associação Portuguesa do Ambiente (APA) e o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), que apelidou de uma “superfusão” que pode levar a uma “ainda maior diminuição da capacidade de acompanhamento dos problemas no terreno”.
Para Alfredo Maia, o país “não tem boas notícias pela frente” e a “previsão é mesmo de mau tempo na qualidade da gestão das infraestruturas” públicas.














































