Estudo da EY-Parthenon, para a Lusomorango e para a Driscoll’s, mostra que a fileira gerou 34.369 empregos, €629 milhões em remunerações e €276 milhões em receita fiscal em 2025, ao longo de toda a sua cadeia de valor;
A produção nacional de pequenos frutos mais do que triplicou em dez anos, passando de 27,6 mil toneladas em 2015 para 91,4 mil toneladas em 2025, fortemente impulsionada pela framboesa e mirtilo. No ano passado, produção atingiu €580 milhões em valor, mais 72,6% que em 2020;
Fileira consolida-se como uma das mais dinâmicas, internacionalizadas e relevantes para a economia portuguesa. Com uma estrutura produtiva diferenciada do resto da Europa, os pequenos frutos portugueses alcançaram perto de €398 milhões em exportações em 2025.
O setor nacional dos pequenos frutos gerou, em 2025, um impacto de €1.037 milhões no Valor Acrescentado Bruto (VAB), dos quais €252 milhões correspondem a efeitos diretos, €309 milhões a efeitos indiretos e €476 milhões a efeitos induzidos. Isto significa que cerca de 76% do impacto estimado no VAB resulta de efeitos indiretos e induzidos, evidenciando a forma como a atividade se propaga para além da produção agrícola, beneficiando fornecedores, serviços, comércio, logística, atividades imobiliárias, restauração, energia, construção e outras áreas da economia nacional.
As conclusões constam do estudo “Plano de Impactos da Produção e Comercialização de Pequenos Frutos”, desenvolvido pela EY-Parthenon, apresentado esta sexta-feira, na Feira Nacional de Agricultura, na presença do Ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, e do Presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal, Álvaro Mendonça e Moura.
Promovido pela Lusomorango, a maior Organização de Produtores nacional do setor das frutas e legumes (em volume de negócios), e pela Driscoll’s, marca pioneira na investigação e desenvolvimento dos melhores pequenos frutos do mundo, presente há duas décadas em Portugal, o relatório analisa a evolução e o impacto económico desta fileira em Portugal, medindo os efeitos diretos, indiretos e induzidos da atividade no VAB, emprego, remunerações e receita fiscal.
O setor dos pequenos frutos consolida-se, assim, como uma das fileiras agrícolas mais dinâmicas e exportadoras da economia portuguesa. Em dez anos, a produção nacional mais do que triplicou, passando de 27,6 mil toneladas em 2015 para 91,4 mil toneladas em 2025, confirmando Portugal como produtor de referência em culturas de elevado valor acrescentado.
De acordo com o estudo, a produção nacional de pequenos frutos atingiu €580 milhões em 2025, o que representa um crescimento de 72,6% face a 2020. Para 2026, a projeção aponta para um recorde de valor de €645 milhões. Este crescimento tem sido impulsionado sobretudo pela expansão da framboesa, da amora e do mirtilo, culturas que representam a maior parte do aumento do volume de negócios do setor desde 2020.
Joel Vasconcelos, CEO da Lusomorango, afirma: “Os pequenos frutos são hoje uma das fileiras mais dinâmicas da agricultura portuguesa, com escala e capacidade exportadora. Estamos perante um setor que é muito mais do que a produção agrícola: é uma fileira económica estruturante, com capacidade para gerar riqueza, emprego, rendimento e receita fiscal em Portugal. É um setor que nasce no território, mas cujo impacto se multiplica por toda a economia. O aprofundamento do conhecimento sobre o contributo económico, social e territorial da produção de pequenos frutos em Portugal permite apoiar a necessária reflexão sobre as condições necessárias ao crescimento sustentável da fileira”.
Forte contributo para a criação de emprego e para a distribuição de rendimento pela economia
O estudo revela ainda que, em 2025, o setor gerou 34.369 empregos equivalentes a tempo completo (ETC), dos quais 17.433 resultam diretamente da atividade dos pequenos frutos. Para 2026, a EY-Parthenon projeta um crescimento para 36.702 empregos ETC, confirmando a relevância da fileira para a criação e manutenção de postos de trabalho.
As remunerações associadas ao setor atingiram €629 milhões em 2025 no total (dos quais €247 milhões são salários diretos), quase duplicando face a 2020, ano em que se situavam nos €351 milhões. Ou seja, 60% deste impacto resulta de efeitos indiretos e induzidos, o que evidencia a capacidade da fileira para distribuir rendimento para além do núcleo produtivo agrícola.
Também a receita fiscal acompanha a trajetória de crescimento do setor. Em 2025, os pequenos frutos geraram €276 milhões em impostos e contribuições sociais (€96 milhões quando considerada apenas a atividade produtiva), com projeção de €298 milhões em 2026. Entre 2020 e 2026, a receita fiscal gerada pelo setor deverá aumentar, em média, 8,9% ao ano, com forte contributo da TSU, do IRC, do IRS e do IVA.
Produção portuguesa cresce muito acima da Europa e alavanca exportações
O relatório destaca ainda que Portugal se diferencia do padrão global e europeu. Enquanto a estrutura produtiva mundial e europeia continua fortemente assente no morango, a produção nacional tem uma maior especialização em culturas de maior valor, como a framboesa, a amora e o mirtilo.
Ainda que Portugal não consiga, pela sua escala, competir diretamente com os maiores produtores mundiais, como México e Estados Unidos, o caminho passa por investir em culturas diferenciadas que sirvam mercados que privilegiam a qualidade face ao volume.
Em 2025, as exportações nacionais de pequenos frutos atingiram €398 milhões, mais do que triplicando o valor registado há uma década.
Eduardo Bremm, Diretor de Operações da Driscoll’s em Portugal e Espanha, refere: “O país reúne uma combinação muito particular de condições climáticas, diversidade geográfica, perícia técnica e experiência agrícola que permite produzir pequenos frutos com elevados padrões de qualidade, reconhecidos nos mercados internacionais. É essa combinação – território, clima, inovação, saber e capital humano – que tem permitido afirmar o país como uma origem de referência para framboesas, mirtilos e amoras. Há 20 anos que estamos presentes em Portugal, acreditando a produção de pequenos frutos, e acreditando que o potencial deste setor deve continuar a ser desenvolvido lado a lado com os produtores, com foco na qualidade, na consistência e na sustentabilidade”.
“Os pequenos frutos representam também uma das formas mais naturais de «indulgência sem remorso»: um produto delicioso, fresco, altamente nutritivo, e que se enquadra naturalmente na riqueza da dieta mediterrânica. Esta é a nossa missão e foco do nosso trabalho: deliciar os consumidores com fruta de elevada qualidade, produzida em Portugal e reconhecida nos mercados mais exigentes”, conclui.
Para continuar a crescer, o setor precisa de políticas públicas estáveis e investimento estratégico com visão
Para a Driscoll’s e para a Lusomorango, cuja atividade se localiza maioritariamente na região de Odemira, os resultados demonstram que os pequenos frutos são uma fileira estratégica para Portugal, mas também evidenciam a necessidade de criar condições para que o crescimento do setor seja sustentável, previsível e equilibrado. Entre as prioridades identificadas estão a melhoria das infraestruturas públicas, a gestão eficiente da água, a simplificação administrativa, o apoio à inovação, a previsibilidade regulatória, a qualificação da mão de obra e respostas coordenadas em matéria de habitação, mobilidade e integração de trabalhadores nos territórios onde a atividade tem maior expressão.
Para o CEO da Lusomorango, Joel Vasconcelos, “o crescimento económico não dispensa responsabilidade territorial e social. O caminho de crescimento dos pequenos frutos em Portugal tem sido feito, em grande medida, pela visão dos produtores, que investem, procuram soluções para atrair e integrar mão de obra e inovam em práticas agrícolas cada vez mais sustentáveis. Mas é preciso que a esta visão se junte uma visão política que olhe de forma estratégica para a fileira. Para continuar a crescer, o setor precisa de políticas públicas estáveis, investimento em infraestruturas, simplificação administrativa e respostas equilibradas para os territórios onde a atividade está instalada”.
Fonte: Driscoll’s e Lusomorango














































