A Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) considerou hoje “positivos” os apoios anunciados pelo Governo para mitigar os efeitos da tempestade Kristin, mas ressalvou que falta conhecê-los “em detalhe” e que é preciso implementá-los rapidamente.
“Os anúncios como este são sempre positivos. Agora é preciso conhecer em detalhe as medidas, é preciso perceber quais são as despesas elegíveis e é preciso saber o resto de todas as outras regras. E, depois, também é necessário que a sua implementação seja rápida, é sempre uma preocupação que existe”, afirmou o secretário-geral da CAP, Luís Mira, em declarações à agência Lusa.
Salientando que a gravidade dos danos causados pela tempestade “obriga a medidas também excecionais”, o dirigente associativo disse ter já lançado “um desafio à banca para que ponha em prática linhas de crédito”, ao qual “alguns bancos já responderam”.
“Tudo aquilo que sejam mecanismos rápidos é o que as pessoas mais precisam”, enfatizou.
Para o dirigente da CAP, “não vale a pena dizer que é muito ou que é pouco, enquanto não se souber o custo total das operações e em que é que elas vão incidir”: “Para já, o anúncio é bom, agora a sua concretização é mais importante”, insistiu.
De acordo com Luís Mira, “o setor das estufas teve perdas muito grandes, perdas totais, tanto na zona oeste, Leiria, como na zona de Odemira, mas também em vacarias, em explorações de aves, em culturas como o olival e fruteiras, e na floresta, que levou também uma pancada muito grande”.
“E depois também tudo disperso. Há pessoas que não estão nestas zonas, mas os sobreiros arrancaram, as suas árvores caíram, ficaram sem eletricidade. Há, neste momento, zonas alagadas que vão estar assim ainda durante mais um tempo e isso vai causar prejuízos muito grandes, que depois não se encaixam nestas linhas criadas pelo Governo”, acrescentou.
Apontando ainda “casos no Douro de terras que aluíram e que desapareceram”, o secretário-geral da CAP concluiu que “este tipo de catástrofe, e com tanta chuva persistente, vai afetar a grande maioria dos agricultores”.
“Enfim, há prejuízos no campo mais ou menos por todo o lado”, rematou.
Também em declarações à Lusa, o presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), João Vieira Lopes, disse não ter ainda condições para avaliar se as medidas anunciadas “são suficientes ou não”, já que está por fazer “o balanço” total das perdas.
Vieira Lopes referiu que o setor do comércio “sofreu muitos danos, como todos”, sendo agora necessário “trabalhar com as medidas” que foram lançadas e, mais para a frente, “ver se serão suficientes”.
Nove pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois três óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.
Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 69 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2.500 milhões de euros.















































