A exposição ‘Raízes de Mulher: Sementes de Futuro’ foi inaugurada no dia 14 de janeiro como um gesto simbólico e político de reconhecimento do papel das mulheres na agricultura e no território rural, assumindo-se como um espaço de encontro com aquelas que fazem da terra matéria de vida, de trabalho e de transformação. A iniciativa ganha especial relevância num momento em que 2026 foi proclamado pela Organização das Nações Unidas como o Ano Internacional da Mulher na Agricultura, reforçando a urgência de dar voz, visibilidade e futuro ao feminino rural.
A cerimónia, que teve lugar na Casa da Escrita, em Coimbra, contou com a presença do Ministro da Agricultura e do Mar, José Manuel Fernandes, da Presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ana Abrunhosa, da Presidente da CCDR Centro, Isabel Damasceno, bem como de representantes de diversas entidades institucionais, associativas e do setor agrícola, num sinal claro de convergência em torno da igualdade, da sustentabilidade e da coesão social.
Mais do que uma homenagem, ‘Raízes de Mulher: Sementes de Futuro’ propõe-se como um convite à escuta, ao olhar atento e à reflexão. A exposição coloca no centro do debate temas como a igualdade de género, a dignidade do trabalho agrícola e a sustentabilidade dos territórios, sublinhando o contributo muitas vezes invisível das mulheres para a economia rural, a segurança alimentar e a preservação das comunidades.
Na sua intervenção, o Ministro da Agricultura e do Mar destacou a importância de valorizar o papel das mulheres ligadas à agricultura e às raízes do território, enquadrando esta iniciativa num debate mais amplo sobre igualdade de género e justiça social. Sublinhou que, apesar dos progressos alcançados, a igualdade plena ainda não é uma realidade, lembrando que as mulheres continuam a enfrentar obstáculos estruturais, incluindo na participação política. Referiu que as quotas têm sido um instrumento necessário para corrigir desigualdades persistentes, num sistema que ainda favorece os homens, defendendo que o verdadeiro desafio passa por transformar estruturas e não apenas números.
O governante abordou ainda a dimensão europeia e o futuro da agricultura, salientando a necessidade de políticas públicas mais justas e de uma melhor distribuição dos fundos europeus, que cheguem efetivamente a quem trabalha a terra. Chamou a atenção para problemas estruturais como o envelhecimento da população, a desigualdade social e a falta de habitação, defendendo uma União Europeia mais solidária, capaz de proteger a agricultura, garantir a segurança alimentar e promover a coesão social. Recordou, a este propósito, que a pandemia evidenciou a importância estratégica da produção alimentar local e europeia.
‘Raízes de Mulher: Sementes de Futuro’ afirma-se, assim, como uma ação que cruza memória e futuro, dando palco às mulheres rurais num tempo em que o seu papel é central para enfrentar desafios globais como a sustentabilidade, a justiça social e a segurança alimentar. Num ano simbólico à escala internacional, a exposição lança sementes de reconhecimento e transformação, convidando a sociedade a escutar, valorizar e cuidar das raízes que sustentam o futuro.
O convite estende-se, assim, a toda a comunidade: não deixe de visitar a exposição ‘Raízes de Mulher: Sementes de Futuro’, patente na Casa da Escrita, em Coimbra, até 20 de fevereiro. Depois, a exposição seguirá em itinerância ao longo do ano por vários municípios da região Centro, passando por Castelo Branco, Guarda, Leiria e Viseu, levando consigo as histórias, as vozes e a força do feminino rural, num percurso que pretende continuar a semear reflexão, reconhecimento e futuro.
O artigo foi publicado originalmente em Rede Rural Nacional.














































