Pelo menos 600 hectares de floresta foram destruídos, nos últimos seis meses, na sequência de queimadas descontroladas, maioritariamente nas zonas tampão das áreas de conservação na província de Inhambane, sul de Moçambique, anunciou fonte oficial.
“Há uma maior incidência de queimadas descontroladas sobretudo nas zonas tampão das áreas de conservação (…). Ao redor do Parque Nacional de Zinave temos registos preocupantes, temos também registos no interior do Parque Nacional do Arquipélago de Bazaruto [e] um pouco pela Reserva Nacional de Pomene”, disse Renato Bata, diretor dos Serviços Provinciais do Ambiente, em Inhambane.
Segundo o responsável, citado hoje pela televisão pública, as queimadas descontroladas são uma das principais causas de desflorestação na província, sendo motivadas pela caça furtiva, agricultura e procura de pasto para criação de gado.
“Em termos numéricos estamos a falar de aproximadamente 600 hectares registados, mas sabemos que existe muito mais que isso”, referiu Renato Bata.
As autoridades em Inhambane realizam ações para travar a desflorestação na província, entre as quais está a educação ambiental, “com enfoque para o combate às queimadas descontroladas”.
“Incutimos na comunidade a necessidade de proteger os recursos naturais disponíveis”, conclui o diretor.
Em dezembro, a Lusa noticiou que Moçambique perde anualmente 500 milhões de dólares (427,4 milhões de euros) em práticas “insustentáveis” no setor florestal, como a exploração madeireira ilegal e a agricultura de corte e queima, estimou o Forest Stewardship Council (FSC).
A desflorestação em Moçambique afetou 875.453 hectares entre 2019-2022, atingindo sobretudo as províncias de Niassa e da Zambézia, de acordo com um relatório do Instituto Nacional de Estatística, segundo o qual, em 2022, a desmatação – de vários tipos de floresta – recuou 31% face ao ano anterior, para 209.464 hectares.
O pico da desflorestação foi registado em 2021, com 303.689 hectares, sendo 264.999 hectares de floresta tropical, 29.258 hectares de floresta semi sempre-verde e 99 hectares de mangal, entre outras.















































