A chuva persistente das últimas horas está a aumentar o caudal dos rios na região Oeste, levanto a Proteção Civil a apelar à população para se afastar de zonas ribeirinhas devido ao elevado risco de cheias.
“É preciso que as pessoas se afastem do rio, porque o rio subiu muito em Dois Portos e Runa e leva grande velocidade. Nunca esteve tão alto e há risco de transbordo” ao longo do seu curso, incluindo a cidade de Torres Vedras, alertou o vice-presidente da câmara, Diogo Guia.
Depois de já terem “retirado pessoas de casa hoje na Ponte do Rol”, onde o rio tem provocado inundações, o autarca adiantou que há várias ruas da cidade a começar a encher-se de água, assim como em A-dos-Cunhados.
Em Alenquer, “o rio subiu muito durante a noite e está a rebentar na vila, depois de já ter galgado as margens em Ribafria, Espiçandeira e Atouguia”, afirmou o presidente da câmara, João Nicolau, que reforçou o alerta.
O número de deslocados subiu para 75 por “riscos estruturais na habitação própria”, assim como de deslocados para 27 desalojados, 12 dos quais necessitaram de ser realojados pela câmara, de acordo com uma nota de imprensa.
Segundo o autarca, em Bogarréus, “uma casa ruiu” e os moradores, que já tinham saído de casa por precaução, ficarem agora desalojados.
Na Lourinhã, o centro da vila encontra-se também com várias ruas cortadas devido às inundações do rio, sem, contudo, terem entrado em habitações ou estabelecimentos comerciais, afirmou o vice-presidente da câmara, António Gomes.
Este concelho contabiliza sete desalojados e cinco deslocados, depois de mais um caso surgido na terça-feira na freguesia de Miragaia e Marteleira, onde “desabou a parede de uma casa” e os habitantes foram retirados.
Em Arruda dos Vinhos, o número de desalojados subiu para 51 e o de deslocados para 10, depois de deslizamentos de terras nas localidades da Mata e Casais da Granja terem provocado “danos estruturais em habitações e estarem em risco de ruir, motivo pelo qual as pessoas tiveram de sair” para casas municipais ou de familiares, disse fonte oficial autárquica.
Há também risco de cheias no Bombarral e Arruda dos Vinhos.
Cinco estradas nacionais estão cortadas em vários concelhos da região do Oeste, devido a inundações registadas na última noite, informou o Sub-Comando de Emergência e Proteção Civil do Oeste.
“Registaram-se esta noite algumas inundações de estradas nacionais, que estão cortadas em vários pontos”, disse hoje à agência Lusa fonte do Sub-Comando de Emergência e Proteção Civil do Oeste.
No distrito de Leiria, as inundações provocaram o corte da Estrada Nacional (EN) 8, no concelho de Alcobaça, entre as localidades de Valbom e Mendalvo e, no concelho do Bombarral, na localidade de Paúl.
Nos concelhos do distrito de Lisboa, na área do sub-comando, estão hoje cortadas a EN 115, no Cadaval e a EN 9, em Merceana, no concelho de Alenquer e, no concelho de Torres Vedras, entre a sede do concelho e a freguesia de Ponte do Rol.
Ainda neste concelho, a Câmara de Torres Vedras informou estar também fechada a EN 248, que liga a Sobral de Monte Agraço.
De acordo com a Câmara da Lourinhã, no distrito de Lisboa, neste concelho registam-se também cortes na EN 361 entre Lourinhã e Miragaia e na EN 361-1 e entre Miragaia e Ribeira de Palhais.
O Sub-Comando de Emergência e Proteção Civil do Oeste abrange os concelhos de Alcobaça, Bombarral, Caldas da Rainha, Nazaré, Óbidos e Peniche, no distrito de Leiria, e de Alenquer, Arruda dos Vinhos, Lourinhã, Sobral de Monte Agraço e Torres Vedras, no distrito de Lisboa.
Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros













































