Jogos para podar e veículos aéreos não tripulados são propostas para o Douro

Jogos para podar e veículos aéreos não tripulados são propostas para o Douro

Veículos aéreos não tripulados para transporte de uvas, jogos em realidade virtual para aprender a podar e um serviço que recomenda música de acordo com o vinho foram propostas para o Douro resultantes da maratona de trabalho ‘hackathon’.

O Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP) promoveu a iniciativa “Hackathon Douro & Porto” que desafiou 46 investigadores ao desenvolvimento de soluções inovadoras para os problemas da Região Demarcada do Douro (RDD).

“É evidente que estão aqui desenvolvidos caminhos, alicerces, estratégias para que o setor vitivinícola possa, de alguma maneira, vir beber aqui esta informação que vai estar disponível e de acesso público”, afirmou hoje à agência Lusa o presidente do IVDP, Gilberto Igrejas.

Sem destacar nenhum projeto em particular, o responsável disse que todos representam “uma mais-valia” para a RDD.

Os investigadores, divididos em 10 equipas, responderam a também 10 desafios lançados pelo setor vitivinícola, municípios e universidades e as soluções de base tecnológica desenvolvidas foram apresentadas ‘online’ na quarta-feira.

Para o desafio “rede de comunicação”, a equipa propôs a colocação de três ‘gateways’ e sensores no terreno e a avaliação dos locais para colocar os equipamentos, de modo a cobrir uma grande parte das quintas do Douro, e respetivos custos. O objetivo é potenciar a agricultura de precisão.

No desafio “monitorização do território” foi proposta a criação de um ‘website’ que apresente os dados georreferenciados obtidos a partir de redes sociais.

Com vista a uma “sensibilização para a sustentabilidade” pretende-se criar um ‘kit’ educacional de sustentabilidade, portátil e modular, com material de baixo custo.

A equipa do desafio “mecanização na vinha” sugeriu um sistema de veículos aéreos não tripulados (UAV) capaz de assistir no transporte rápido das uvas desde a vinha ao lagar. Este projeto tem como objetivo impulsionar a capacidade de resposta da região face às tendências do setor e do mercado.

Para a “transferência de conhecimento intergeracional” é proposto um jogo em realidade virtual que desafie o jogador a aprender a fazer a poda a partir do conhecimento empírico transmitido pelos mais experientes.

O objetivo do sexto desafio era a “potencialização do enoturismo” e, para o efeito, os investigadores propuseram um plano de comunicação de rotas de enoturismo na RDD, fazendo uso de elementos de gamificação em articulação com a oferta de serviços locais para maximizar o envolvimento dos visitantes.

E, para uma “consciencialização das alterações climáticas”, os investigadores sugeriram produzir uma experiência áudio imersiva gerada a partir de dados (vento, luminosidade e humidade), coletados na vinha em tempo real.

Com vista a uma “comunicação sustentável do vinho” foi sugerida a criação de um protótipo de um produto/embalagem ou contentor a partir de biorresíduos para impulsionar o desenvolvimento de soluções inovadoras sustentáveis que diminuam o impacto ambiental no ciclo de vida do vinho.

Os investigadores consideraram que a “inovação no marketing e comunicação” passa pelo desenvolvimento de uma aplicação em realidade aumentada para rótulos de garrafas capazes de apresentar, de forma apelativa, informações relevantes sobre os vinhos do Douro.

Por fim, propôs-se um serviço personalizado de recomendação de música de acordo com o vinho escolhido e o perfil do consumidor para uma “experiência multissensorial”.

Gilberto Igrejas destacou o contributo dado pelos investigadores envolvidos no evento “hackathon”.

“Agora cabe desenvolver trabalho em parceria, trabalho de desenvolvimento industrial em alguns dos casos, e meter as mãos à obra para começar a desenvolver estas ideias que a nós nos parecerem muito efetivas e mostram bem como a comunidade científica se sentiu empenhada em ajudar a RDD”, afirmou.

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