A floresta portuguesa representa hoje um dos mais relevantes ativos económicos do país, combinando produção, indústria, exportação e serviços ambientais. De acordo com dados agregados pela plataforma Florestas.pt, o conjunto da fileira florestal — da silvicultura às indústrias de transformação — gera anualmente mais de 13 mil milhões de euros. A indústria de base florestal corresponde a cerca de 5% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Este valor resulta sobretudo da força industrial associada à madeira, pasta e papel, cortiça e mobiliário, setores com forte vocação exportadora e elevado grau de incorporação tecnológica.
Além do impacto direto na economia, a floresta desempenha um papel estruturante no território. Atualmente, ocupa cerca de 3,36 milhões de hectares, o que corresponde a aproximadamente 36% da superfície de Portugal continental, segundo a caracterização mais recente da realidade florestal nacional. Desde 1990, a área florestal manteve-se relativamente estável em termos globais, mas com alterações significativas na sua composição: as florestas plantadas representam hoje cerca de 51% do total, refletindo mudanças nos modelos produtivos, na rentabilidade esperada e na disponibilidade de mão-de-obra rural.
Este peso económico e territorial contrasta, contudo, com fragilidades persistentes ao nível da gestão. A floresta portuguesa continua maioritariamente fragmentada, com uma elevada percentagem de pequenos proprietários privados, muitos deles sem capacidade técnica ou financeira para assegurar uma gestão ativa e contínua. Este fator tem implicações diretas na produtividade, na prevenção de riscos — nomeadamente incêndios — e na resiliência dos ecossistemas florestais.
É neste contexto que o investimento na floresta surge como um indicador crítico. O Barómetro de Investimento Florestal 2025, desenvolvido pelo Centro PINUS e pela associação ZERO, revela que Portugal continua a investir abaixo do necessário para cumprir as metas definidas para a gestão florestal sustentável. O índice global de execução situa-se em 0,45, quando o valor de referência para o cumprimento integral dos objetivos seria 1. Apesar de alguma evolução relativamente a anos anteriores, o barómetro identifica insuficiências em áreas como a gestão de combustível, a continuidade do investimento ao longo do tempo e a monitorização efetiva das ações no terreno.
De acordo com o Barómetro, sem incentivos e modelos de gestão adaptados à realidade da propriedade florestal portuguesa, cresce a probabilidade de abandono, com impactos económicos, ambientais e sociais cumulativos.

Eucalyptus globulus associado à gestão e conservação
A elevada produtividade do eucalipto coloca esta espécie como o principal gerador de rendimento no setor florestal português, sendo responsável por cerca de 39% do Valor Acrescentado Bruto (VAB) da fileira florestal, de acordo com dados do Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral (GPP), citados também no relatório Millennium Agro News (2023). Este peso económico resulta, em grande medida, dos ciclos de corte mais curtos — em média entre 10 e 12 anos —, substancialmente inferiores aos do pinheiro-bravo ou do sobreiro, cujos retornos podem demorar várias décadas. Essa capacidade de gerar liquidez regular permite aos proprietários financiar a gestão ativa dos terrenos, incluindo operações de limpeza e controlo de combustível vegetal, cujo custo pode atingir 1.000 euros por hectare, segundo valores referidos no Projeto de Resolução n.º 244/XVII (2025). Estudos desenvolvidos no âmbito do projeto WildForests, da Universidade de Aveiro, indicam ainda que plantações de eucalipto geridas segundo boas práticas não inviabilizam a biodiversidade e podem, pelo contrário, financiar a manutenção de corredores ecológicos, galerias ripícolas e áreas de conservação. Este princípio é também incorporado nos sistemas de certificação florestal FSC e PEFC, que exigem a afetação de uma parte da área produtiva à conservação da natureza, demonstrando que o rendimento gerado pelo eucalipto pode funcionar com um mecanismo de subsídio económico à preservação de outras espécies florestais e à manutenção dos terrenos em condições ambientais e de segurança adequadas.
Melhor Floresta: quando a gestão devolve resiliência ao território
Perante um cenário marcado pelo abandono, fragmentação da propriedade e investimento insuficiente, o programa Melhor Floresta surge como uma resposta operacional no terreno, orientada para a recuperação produtiva e para o aumento da resiliência das áreas florestais mais vulneráveis aos incêndios. A iniciativa é coordenada pela Biond – Associação das Bioindústrias de Base Florestal e integra a Agenda Transform, financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
O trabalho desenvolvido assenta na implementação de uma rede de Áreas Piloto (AP) e Campos de Demonstração (CD), com especial incidência em zonas afetadas por grandes incêndios. Estas intervenções enquadram-se nos Programas Operacionais da Biond, entre os quais se destaca o “Limpa e Aduba”, uma parceria estratégica plurianual entre produtores florestais e indústria que nasceu da necessidade de ir além da transferência de conhecimento técnico. Entre 2019 e 2025, este programa permitiu intervir em cerca de 100 mil hectares, combinando boas práticas florestais com ações concretas no terreno.
A génese destes programas parte de uma constatação simples: a informação, por si só, não resolve os problemas estruturais da floresta portuguesa. É necessário intervir, demonstrar no terreno e envolver quem lá está. O foco recai sobretudo em territórios de minifúndio, onde centenas de pequenos proprietários coexistem com parcelas abandonadas ou mal geridas, criando continuidade de combustível e maior exposição ao risco de incêndio.
Após os grandes fogos de 2017, esta abordagem tornou-se ainda mais urgente. Para além do “Limpa e Aduba”, multiplicaram-se os pedidos de apoio à reabilitação das áreas ardidas, dando origem a um modelo de intervenção colaborativa que envolveu autarquias, juntas de freguesia, associações locais e, sobretudo, os próprios proprietários. Em concelhos como Mortágua, Pedrógão Grande e Castanheira de Pera, o primeiro desafio foi identificar proprietários e parcelas, um trabalho exigente que implicou levantamento detalhado no terreno e forte articulação institucional.
Esta identificação permitiu obter autorizações para operações essenciais à recuperação do potencial produtivo: corte de madeira queimada, controlo de espécies invasoras e correção da densidade dos povoamentos de eucalipto. “A intervenção é gratuita para os proprietários, sem contrapartidas, e financiada integralmente pelo Programa de Recuperação de Ardidos (PRA) da Biond, assentando numa lógica de proximidade, transparência e simplicidade, assegurando que todos os agentes locais estão envolvidos no processo”, afirma António Sousa Macedo, coordenador dos Programas Operacionais da Biond. “Os resultados mostram que a gestão ativa da floresta é determinante para a resiliência ao fogo, e para a melhoria do rendimento dos proprietários.”
Os efeitos desta gestão tornam-se mais visíveis quando o fogo volta ao território. Em Nodeirinho, a intervenção realizada entre 2021 e 2024 permitiu travar o incêndio que este ano lavrou em Figueiró dos Vinhos. Também em Pedrógão Grande, o trabalho de replantação desenvolvido após 2017 criou uma rede divisional que, associada à manutenção dos aceiros, foi decisiva no controlo do incêndio mais recente. “Estes casos provam que uma floresta gerida, ainda que possa arder, é sempre mais resistente e controlável”, conclui António Sousa Macedo.
No total, a Biond já interveio em cerca de 1 500 hectares, em áreas como Mortágua (2021–2023) e Pedrógão Grande — Nodeirinho (2021–2024) e Derreada, onde os trabalhos ainda decorrem.

“Sentirmos segurança e não voltar a 2017”
Para quem vive no território, os impactos do programa são sentidos muito para além dos indicadores técnicos. Dina Aguiar, presidente da Associação de Vítimas dos Incêndios de Pedrógão Grande, vive perto da aldeia de Nodeirinho e acompanhou o processo de perto. “Para mim enquanto presidente da associação de vítimas que está no terreno, custava muito verificar que muita floresta ardida continuava de pé. Eu não gostava de ver o território descuidado por incapacidade económica dos proprietários, mas também por abandono, porque alguns não vivem cá e não têm noção do que têm.”
Segundo a dirigente, a intervenção trouxe algo essencial às populações: segurança. “Para nós que vivemos aqui, sentimos que esta intervenção nos trouxe segurança. O condomínio da aldeia foi idealizado, compreende as fachadas de segurança junto às aldeias. Para nós este projeto mostrou que era possível fazer algo que nos desse proteção. Foi para nós muito interessante.” E acrescenta: “Tudo o que seja criar resiliência e segurança é obviamente descansar os nossos corações para quando chega o verão.”
A redução da intensidade do fogo é outro dos ganhos destacados. “As zonas intervencionadas permitem reduzir a força do fogo e permitem ser combatido e para nós isso é importante. Para nós é sentirmos segurança e não se repetir o terror de 2017.”
Apesar dos resultados, a questão da manutenção permanece uma preocupação central. “A manutenção é algo que nos assusta. Nem todos os proprietários têm capacidade para manter. Sabemos que nestes primeiros dois anos será um pouco mais fácil. Temos noção que depois terá de haver outro tipo de intervenção.” Dina Aguiar defende mesmo um papel mais ativo do poder local: “Gostávamos que a autarquia olhasse para este espaço que foi abrangido pelo programa e fizesse a própria autarquia um trabalho de manutenção.”
O retrato social da propriedade florestal ajuda a explicar as dificuldades. “Os grandes constrangimentos que temos são proprietários envelhecidos, não têm capacidade económica. O que não é gerido não é rentável, o que não é rentável não é apetecível a ser gerido.” Para a dirigente, soluções de gestão profissional poderiam fazer a diferença: “O ideal era que as pessoas subalugassem a alguma entidade que tomasse conta destas propriedades com vários tipos de floresta, com uma leitura diferente da que nós temos.”
Também o debate em torno das espécies é relativizado à luz da gestão. “O eucalipto é visto como fonte de rendimento”, reconhece, sublinhando ao mesmo tempo a importância da diversidade. “Percebemos que todas as árvores são necessárias, todas têm de existir desde que haja uma boa gestão e boa localização das mesmas. Se houver uma boa gestão da floresta, seja eucalipto ou não, o fogo não faz o mesmo estrago quando está abandonado. A luta é contra o abandono, não é contra uma ou outra espécie.”
No final, a mensagem é clara: o essencial é não voltar a esquecer o território. “O que nos importa é que não se esqueça este território e continue a ser olhado como potencial desafio. Todos os projetos serão bem-vindos e que haja gestão efetiva do território para não voltarmos a ter um 2017.”

Da recuperação pós-incêndio à gestão ativa
A par das intervenções em territórios marcados pelo abandono e pela pequena propriedade, a gestão florestal em grande escala assume também um papel relevante na redução do risco de incêndio e na demonstração de modelos de uso múltiplo da floresta. É neste contexto que se enquadra o trabalho desenvolvido pela Altri, que gere áreas florestais próprias e arrendadas e aposta numa abordagem assente na investigação, na gestão ativa e na articulação com as comunidades locais.
Segundo Luís Ferreira, diretor florestal da Altri, a base deste modelo está num investimento contínuo em investigação e desenvolvimento. A empresa mantém uma ligação estreita a universidades, institutos superiores e laboratórios colaborativos, sustentando um programa de investigação com quase 60 anos, centrado sobretudo no melhoramento genético do eucalipto. Trata-se de um trabalho seletivo que privilegia indivíduos com maior produtividade, melhor qualidade da madeira e maior resistência a condições edafoclimáticas adversas, como a seca ou o frio. “A Altri é a única empresa em Portugal a produzir em larga escala plantas melhoradas resultantes de cruzamentos totalmente controlados, conhecendo exatamente a origem genética de cada planta”, afirma Luís Ferreira.
A investigação não se limita ao material vegetal. A empresa desenvolve também ensaios na área da fertilização e nutrição dos solos, testando a introdução de compostos orgânicos com o objetivo de melhorar os solos, tornando-os mais resistentes e biodiversos. Entre as soluções em estudo está a utilização de um adubo produzido a partir das lamas das ETARI (Estação de Tratamento de Água Residual Industrial) das suas fábricas, enquadrado numa lógica de economia circular, bem como investigação aplicada às próprias operações florestais.
Este modelo produtivo é, segundo Luís Ferreira, compatível com objetivos de conservação. A gestão das propriedades da Altri integra áreas de produção florestal e áreas de elevado valor de conservação, organizadas em mosaico. Algumas dessas zonas de conservação incluem estações de biodiversidade abertas ao público. “A floresta de produção e a conservação não são inimigas, são complementares”, refere, sublinhando que “a gestão ativa é central para a redução do risco de incêndio”.
Nas áreas de conservação, a paisagens e a biodiversidade mantém-se intactas ou são alvo de projetos de restauro. As áreas destinadas à produção compreendem outras dimensões, tais como a pastorícia e apicultura. “A Altri mantém contratos de comodato com pastores, integra projetos de pastoreio dirigido — como o das cabras sapadoras, utilizadas para reduzir combustíveis finos — e desenvolve parcerias com apicultores. Estes podem instalar apiários em áreas florestais da empresa, beneficiando de apoio técnico e da introdução de práticas inovadoras, como a utilização de harpas para controlo da vespa asiática”, pormenoriza Luís Ferreira.
A terminar Luís Ferreira destaca que “este tipo de integração só é possível com uma floresta planeada e gerida de forma consistente”.

Da floresta aos bioprodutos
A lógica de gestão ativa e de valorização integral da floresta encontra outra expressão no investimento em investigação e inovação orientado para novos produtos de base florestal. No caso da The Navigator Company, este trabalho é desenvolvido através do RAIZ – Instituto de Investigação da Floresta e do Papel, o seu centro de I&D, que cobre toda a cadeia de valor, da floresta aos processos industriais e aos bioprodutos.
Criado em 1996, o RAIZ funciona num modelo de cooperação entre a empresa e o meio académico, envolvendo as universidades de Aveiro, Coimbra e Lisboa (ISA). A investigação desenvolvida tem como objetivo transformar conhecimento científico em soluções aplicáveis à floresta, à indústria e ao mercado, numa visão em que as fábricas de pasta e papel evoluem progressivamente para biorrefinarias, capazes de aproveitar integralmente a madeira, a biomassa e os subprodutos do processo industrial.
É neste enquadramento que se insere o desenvolvimento de novas aplicações da celulose, com destaque para bioprodutos destinados a substituir materiais de origem fóssil. A investigação incide sobre diferentes frações da madeira e sobrantes da exploração florestal de Eucalyptus globulus, explorando as propriedades específicas da fibra para aplicações que vão muito além do papel tradicional. Entre estas estão soluções para embalagem, produtos de celulose moldada, papéis com propriedades barreira, micro e nanocelulose, biocompósitos, bioquímicos e biocombustíveis.
A área do packaging tem sido uma das mais desenvolvidas, em resposta à necessidade de alternativas aos plásticos de uso único. A investigação conduzida pelo RAIZ permitiu avançar para produtos fibrosos com características técnicas ajustadas a exigências como resistência mecânica e propriedades de barreira a líquidos e gases, nomeadamente para o setor alimentar. Estas soluções assentam em matérias-primas renováveis, com elevado potencial de reciclabilidade e biodegradabilidade, e enquadram-se numa estratégia de redução da pegada carbónica dos materiais utilizados.
Paralelamente, a investigação em bioprodutos estende-se a áreas como a nanocelulose, os biocompósitos termoplásticos, óleos essenciais e produtos bioactivos, a valorização da lenhina e o desenvolvimento de biocombustíveis avançados, incluindo bioetanol, biometanol e e-fuels. Estes projetos exploram a utilização de sobrantes florestais e subprodutos industriais, reforçando uma lógica de economia circular e abrindo novas possibilidades de aplicação em setores como a construção, a indústria automóvel, os têxteis, a nutracêutica, a cosmética, a energia e a química de base biológica.
Este esforço de investigação tem vindo a traduzir-se em novos negócios e em unidades industriais dedicadas, como a produção de artigos de celulose moldada 100% de eucalipto, com aplicação em embalagens alimentares e serviços de restauração, e no desenvolvimento de novos materiais para os segmentos de higiene, cuidados pessoais e bens de consumo.
Mais do que diversificar produtos, esta abordagem reforça a ligação entre floresta gerida, indústria e bioeconomia. A floresta plantada de Eucalyptus globulus deixa de ser vista apenas como fornecedora de fibra para pasta e papel, passando a constituir a base de um ecossistema industrial capaz de gerar soluções com maior valor acrescentado e de responder a desafios associados à transição para uma economia de baixo carbono.
Tal como nos exemplos de gestão ativa e de recuperação pós-incêndio descritos ao longo deste artigo, também aqui a resiliência da floresta depende da continuidade do investimento, da articulação entre ciência e território e da capacidade de transformar conhecimento em soluções concretas. É nesse cruzamento que se desenha uma parte relevante do futuro da fileira florestal em Portugal.
1001 aplicações da celulose

O Grupo Altri está a empreender um caminho de transformação da economia da floresta, convertendo o tradicional eucalipto (Eucalyptus globulus) na base para uma nova geração de materiais sustentáveis. Sob o comando de Gabriel Sousa, diretor de Inovação e Desenvolvimento Tecnológico da Altri, a empresa está ficada em extrair o máximo valor da celulose, posicionando-a como uma alternativa competitiva ao algodão e ao a outras matérias sintéticas.
A estratégia parte de uma premissa química simples: a celulose da madeira é muito semelhante à do algodão. Contudo, a base florestal oferece uma vantagem estratégica crucial. “Nós não competimos do ponto de vista da área florestal com aquilo que é uma área agrícola necessária para o algodão”, explica Gabriel Sousa. Em Portugal e no sul da Europa, a floresta afirma-se como a fonte mais competitiva para esta matéria-prima.
Embora o mercado papeleiro (papel de impressão, escrita e higiénico) continue a ser o principal destino da produção, a Altri está a diversificar rapidamente para o setor têxtil. A unidade da Caima produz pasta para fibras de viscose desde 2013, e a fábrica da Biotek está a ser convertida para atingir uma capacidade de 170 mil toneladas por ano destinadas a aplicações têxteis.
A grande aposta tecnológica recai agora sobre o Lyocell, uma fibra mais inovadora e sustentável, e outras fibras celulósicas têxteis avançadas. Para dominar este processo, a Altri estabeleceu parcerias com o CeNTI e o CITEVE, criando em Famalicão uma infraestrutura piloto única no sul da Europa. “Já conseguimos produzir em Portugal tanto fibras de viscose como fibras de Lyocell a partir de pastas celulósicas do grupo Altri que vêm de matéria-prima nacional”, revela o responsável.
A ambição da Altri não se fica pela produção da pasta. Através de um investimento numa startup suíça (Aeoniq), o grupo está a implementar em Caima uma tecnologia de líquidos iónicos para produzir filamento contínuo têxtil — um fio que imita as propriedades da seda. Com este projeto, que deverá arrancar até ao final do verão, a Altri pretende tornar-se o “primeiro produtor integrado de fibras têxteis a partir de pasta de celulose e eucalipto no mundo”.
Esta mudança de rumo é motivada pela estagnação dos mercados de papel tradicionais e pela concorrência crescente de gigantes brasileiros de larga escala e baixo custo. A solução passa por subir na cadeia de valor: “Integrar a seguir na cadeia de valor permite-nos capturar maior valor económico para a mesma base florestal”, sublinha Gabriel Sousa.
Além do vestuário, a celulose está a infiltrar-se em nichos de alta especialidade. A Altri fornece já pastas para a produção de celulose microcristalina, o pó branco que serve de excipiente na maioria dos comprimidos. Outras aplicações incluem aditivos para reforço de fibra alimentar e até esponjas de cozinha.
Gabriel Sousa acredita que o potencial desta matéria-prima é ainda largamente desconhecido pelo grande público: “Se a maior parte do público percebesse o alcance deste tipo de aplicações, as pessoas iriam perceber que as pastas do eucalipto têm mais impacto na sua vida do que aquilo que imaginariam”.
Autor: Sara Pelicano













































