A maioria dos 23 cavalos que integraram hoje o centenário leilão da Coudelaria de Alter, no distrito de Portalegre, não foi adquirida pelos criadores que estavam inscritos, disse hoje a Companhia das Lezírias em comunicado.
Segundo a Companhia das Lezírias, que gere a Coudelaria de Alter, foram vendidos seis cavalos, “rendendo mais de 75.200 euros” aos cofres da instituição.
O leilão contou com a presença de milhares de pessoas e com criadores oriundos de países como Portugal, Países Baixos, Inglaterra, Espanha, França e Alemanha.
A listagem do leilão era composta por 23 animais, nomeadamente 13 fêmeas e 10 machos, puro-sangue das raças Lusitano e Árabe.
“Os preços-base de licitação nas éguas variaram entre os 5.000 mil e os 17.500 euros e nos machos entre os 7.000 e os 20.000 euros. A venda com o valor mais elevado foi do cavalo ‘Gniqui’, no valor de 20.000 euros, e nas fêmeas destacou-se a Salina que, por 17.700 euros, encontrou o seu novo proprietário”, pode ler-se no documento.
Os exemplares não vendidos no leilão “ficam desde já disponíveis” para venda ‘online’, com um acréscimo de “10% ao seu preço base”, podendo ser licitados por qualquer pessoa, prevalecendo sempre a maior licitação.
Citado no comunicado, o presidente da Companhia das Lezírias, Eduardo Oliveira e Sousa, considera que o resultado do leilão manifesta o “sentimento atual” do mercado.
“O resultado deste leilão é o espelho perfeito do sentimento atual do mercado, a qualidade em detrimento da quantidade, e percebemos isso precisamente pelo número de vendas hoje registadas”, justifica.
“As éguas foram vendidas acima dos preços-base de licitação e o exemplar mais caro em leilão, o cavalo ‘Gniqui’, foi também vendido, representando assim que os clientes que procuram qualidade e performance compraram no leilão de Alter Real”, acrescenta.
Eduardo Oliveira e Sousa sublinha ainda que a missão da Coudelaria de Alter “não é transacionar apenas cavalos”, mas “salvaguardar o valioso património genético que é o Cavalo Lusitano”.
Para o responsável, o dia do leilão “é o mais alto expoente do compromisso inabalável” de preservar este património genético, contribuído também para posicionar o turismo equestre português como uma “oferta de excelência” para os mercados nacional e internacional.
Por último, o presidente da Companhia das Lezírias considera também que o leilão “reafirma o Cavalo Lusitano como um símbolo vivo da identidade e da tradição portuguesa, honrando o legado desta que é a mais antiga raça de sela do mundo”.
Os cavalos de linhagem Alter Real destacam-se pela sua “nobreza e funcionalidade”, com particular aptidão para diversas disciplinas equestres, sobretudo no domínio da ‘dressage’ e da equitação tradicional portuguesa, tendo já sido elevado a Património Cultural Imaterial da Humanidade, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).
A Coudelaria de Alter do Chão, fundada em 1748 por D. João V, desenvolve trabalhos de seleção e melhoramento de cavalos Lusitanos e possui uma unidade clínica dotada com todos os meios para o acompanhamento e tratamento médico dos animais, acolhendo, nas suas instalações, entre outras valências, o Laboratório de Genética Molecular.
Em 2013, a Companhia das Lezírias assumiu a gestão da coudelaria, cabendo a gestão do Laboratório de Genética Molecular à Direção-Geral de Alimentação e Veterinária.
















































