Investigadores russos desenvolveram linhas geneticamente modificadas de choupo com maior tolerância ao sal. Um avanço que poderá beneficiar tanto a indústria da madeira como a agricultura em solos degradados.
✍️ Carla Amaro / CiB
Uma equipa de cientistas da Russian Academy of Sciences, através do seu ramo siberiano, desenvolveu duas linhas transgénicas de choupo com o objetivo de aumentar a tolerância das plantas a níveis elevados de salinidade.
Para isso, os investigadores introduziram genes dehidrinas (TaWCS120 e HvDHN5), conhecidos por estarem associados à resposta das plantas a condições de stress, como a seca e a presença de sal no solo.
No estudo, as plantas geneticamente modificadas e plantas não modificadas foram expostas a concentrações crescentes de cloreto de sódio (NaCl), permitindo avaliar o seu crescimento e desenvolvimento radicular. Os resultados mostraram que níveis elevados de sal afetaram significativamente o crescimento das plantas de controlo e também das que expressavam o gene TaWCS120.
Em contraste, as árvores que incorporavam o gene HvDHN5 mantiveram um crescimento normal sob níveis moderados de stress salino e demonstraram maior resistência à medida que a salinidade aumentava. De facto, estas plantas sobreviveram a condições que se revelaram letais para as árvores não modificadas.
Segundo os investigadores, este tipo de abordagem poderá ser aplicado no desenvolvimento de culturas agrícolas e espécies florestais mais resistentes ao sal, contribuindo para a produtividade em ambientes difíceis, nomeadamente em solos afetados pela salinização — um problema crescente em várias regiões do mundo.
Os resultados reforçam o potencial da engenharia genética como ferramenta para enfrentar desafios ambientais e melhorar a resiliência das plantas face a condições adversas. Leia o abstract em EDP Sciences.
O artigo foi publicado originalmente em CiB – Centro de Informação de Biotecnologia.















































