Uma delegação do Governo brasileiro chega à China no domingo para tentar convencer Pequim a permitir que o Brasil use quotas de exportações de carne bovina não utilizadas por outros países para ampliar o fornecimento ao gigante asiático.
O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil, Luis Rua, revelou, em entrevista à Lusa, que o Governo brasileiro levará argumentos, mas a decisão final será dos chineses.
A quota brasileira de exportação de carne bovina para a China em 2026 é de 1,106 milhões de toneladas e volumes acima desse limite passam a pagar uma tarifa adicional de 55%.
Segundo projeções da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), o Brasil atingirá essa quota até ao final de junho.
“Naturalmente, um tema que iremos levar é justamente a possibilidade de apresentar ao lado chinês argumentos que indiquem que, eventualmente, quotas não utilizadas por outros países possam ser usadas por aqueles que têm disponibilidade de oferecer o produto”, explicou Rua.
O governante disse que “o Brasil é um desses países” que se coloca à disposição da China, “entendendo que pode contribuir ainda mais, com mais volume, contribuindo para a segurança alimentar” do país asiático.
“Naturalmente, essa é uma decisão chinesa, nós levaremos os nossos argumentos e, como bons parceiros que somos, discutiremos e buscaremos avançar nessa e em tantas outras pautas que temos na China”, ponderou Rua.
A Abiec lembrou que essa salvaguarda do país asiático passou a vigorar em janeiro deste ano, e que a China informou, no último dia 10, que o Brasil já havia alcançado 50% da quota anual.
Caso essa restrição existisse no ano passado, segundo a entidade, o Brasil teria atingido o montante de exportação dentro da quota para a China em agosto de 2025.
“Se o ritmo de embarques seguir semelhante ao do ano passado, cerca de 600 mil toneladas ficariam sem espaço dentro da quota ao longo de 2026”, informou a entidade em nota enviada à Lusa.
Segundo a associação, o cenário “gera bastante preocupação para o setor, principalmente pelo impacto nos volumes, nos preços e no planeamento das indústrias”.
A China é o principal destino das exportações do agronegócio brasileiro, inclusive na exportação de proteína animal.
Em 2025, o Brasil exportou cerca de 3,5 milhões de toneladas de carne bovina e, desse total, cerca de 1,7 milhões de toneladas foram para a China.
Esse volume representou 8,8 mil milhões de dólares em receitas (cerca de 7,56 mil milhões de euros).
A comitiva de autoridades do Ministério da Agricultura e Pecuária realizará uma missão oficial à China entre os dias 17 e 21 de maio, visando “fortalecer a cooperação bilateral e avançar em pleitos sanitários e fitossanitários”, segundo comunicado do órgão federal.
A agenda terá início em Xangai, onde as autoridades brasileiras participam da SIAL China 2026, considerada a maior feira de alimentos da Ásia e uma das principais do mundo.
Com dois dias reservados para Pequim, entre terça e quarta-feira, a delegação brasileira terá reuniões com representantes da Administração Geral das Alfândegas da China, do Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais e do Ministério do Comércio da China.
“As reuniões tratarão de temas relacionados à cooperação sanitária e fitossanitária, ampliação do comércio agropecuário e fortalecimento das relações institucionais entre os países”, informou órgão federal brasileiro.
O presidente da Abiec, Roberto Perosa, espera que o “diálogo técnico e diplomático junto às autoridades chinesas” seja suficiente para ampliar a quota Brasileira “demonstrando a importância do fornecimento brasileiro para a segurança alimentar da China e buscando previsibilidade para os contratos já firmados”.














































