A Comunidade Intermunicipal (CIM) da Região de Leiria vai avançar com o estudo de um emissário para salvaguardar o rio Lis, que vai incluir as preocupações suscitadas pela Câmara da Marinha Grande, foi hoje revelado.
“Na sequência de uma deliberação da Câmara Municipal da Marinha Grande, vamos avançar com um novo estudo relativamente à solução de emissário para o rio Lis”, afirmou à agência Lusa o presidente da CIM, Jorge Vala, após a reunião do Conselho Intermunicipal, em Leiria.
Jorge Vala, também presidente da Câmara de Porto de Mós, explicou que “existem alguns pressupostos que foram lançados pela Câmara Municipal da Marinha Grande que não estão previstos no anterior estudo”.
“Naturalmente, vamos incluí-los e vamos avançar com um novo estudo, para tentar dar resposta também às preocupações da Câmara Municipal da Marinha Grande. Parece-nos legítimo”, declarou o autarca.
Em 12 de agosto de 2025, uma avaria na estação elevatória de Monte Real (concelho de Leiria) gerida pela Águas do Centro Litoral, obrigou à descarga de milhares de metros cúbicos (m3) de efluentes não tratados para o rio Lis, que desagua na Praia da Vieira (concelho da Marinha Grande), e em valas de rega.
A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) estimou que foram lançados ao rio entre 20 mil e 25 mil m3 de esgoto bruto.
Na ocasião, os banhos na Praia da Vieira foram interditados e o Município de Leiria desaconselhou atividades no troço do rio Lis a jusante de Monte Real, como captações para rega, banhos e pesca.
Em 19 de agosto, no final da primeira reunião da comissão de acompanhamento criada para avaliar aquela avaria, os seus impactos e a necessidade de investimentos, o presidente da APA, Pimenta Machado, disse que a criação de um emissário submarino pode ser a solução para os efluentes tratados não terem como destino o rio Lis.
No mês seguinte, Jorge Vala, à data vice-presidente da CIM, declarou que a CIM lançou o procedimento para o estudo do emissário cuja construção pode custar entre 15 e 20 milhões de euros.
Posteriormente, foi anunciada a suspensão a pedido da Marinha Grande que, na semana passada, deu ‘luz verde’ ao estudo de um emissário para levar efluentes da estação de tratamento de águas residuais (ETAR) do Coimbrão, em Leiria, ao mar, para salvaguardar o rio Lis.
Numa nota de imprensa, o município revelou que aprovou, por unanimidade, no dia 19, a proposta da CIM para aquisição do estudo prévio para construção do emissário submarino.
A autarquia explicou que, de acordo com a proposta, o emissário submarino terá “localização entre a Praia da Vieira (Norte) e a Praia do Pedrógão (Sul)”, esta no concelho de Leiria, uma “extensão aproximada de seis quilómetros em terra e 2,5 quilómetros em meio oceânico”, sendo que a descarga, “através de difusor no troço final, [ocorrerá] entre os 13 e os 17 metros de profundidade”. O tratamento secundário dos efluentes é assegurado pela ETAR do Coimbrão.
A Câmara, liderada por Paulo Vicente, reconheceu algumas vantagens associadas ao emissário, mas salientou a “importância de acautelar riscos ambientais e de saúde pública, sobretudo pelo facto de a área em causa estar sujeita a forte utilização humana e por integrar áreas classificadas da Rede Natura 2000 que integram zonas sensíveis e diversas espécies protegidas como os cetáceos”.
Na deliberação, defendeu, por exemplo, “a necessidade de um estudo de impacte ambiental detalhado, com especial foco nas áreas classificadas marinhas”.
Por outro lado, o Município da Marinha Grande preconizou “um plano rigoroso de monitorização, quer da qualidade do efluente à saída da ETAR do Coimbrão, quer do meio recetor marinho”, e a “definição de um programa regular de manutenção e de inspeções periódicas” ao emissário.
Integram a CIM os Municípios de Alvaiázere, Ansião, Batalha, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Leiria, Marinha Grande, Pedrógão Grande, Pombal e Porto de Mós.













































