As autoridades moçambicanas estão a atribuir títulos de uso de terra (DUAT) em Sofala, centro do país, para afastar famílias da zona tampão de áreas de conservação e reduzir conflitos com animais.
“Um dos objetivos de atribuição desse DUAT é afastar mais a população. Estamos a identificar áreas mais distantes ainda da zona tampão e atribuir os títulos de aproveitamento de terra para as famílias”, disse a diretora provincial de Desenvolvimento Territorial e Ambiente, Beatriz Joaquim Olímpio Dias, citada hoje pela comunicação social.
A medida está a ser implementada no distrito de Nhamatanda, naquela província, abrangendo comunidades localizadas em zonas próximas de áreas de conservação e cursos de água, onde se registam frequentes ataques de animais.
Segundo a responsável, a iniciativa visa reduzir a exposição das comunidades a elefantes, hipopótamos e crocodilos, espécies que representam maior risco para as populações que vivem junto a rios e reservas.
“[Fazemos] acompanhamento para garantir que os animais voltem para suas áreas habitacionais, através de afugentamentos que temos feito. Em casos extremos, culmina com o abate”, afirmou, referindo que o recuo ou captura de animais de grande porte envolve elevados custos operacionais.
As autoridades defendem que o reassentamento em áreas seguras, com infraestruturas básicas, é essencial para reduzir riscos e garantir melhores condições de vida às comunidades.
O processo de atribuição de DUAT enquadra-se na estratégia de ordenamento territorial e gestão ambiental, visando promover o uso sustentável da terra e minimizar conflitos entre humanos e fauna bravia.
Os incidentes com animais selvagens são comuns nas zonas rurais em Moçambique e as margens de rios acarretam um risco acrescido, principalmente durante a época das chuvas, ainda em curso no país.
A Lusa noticiou anteriormente que, em 2023, o número de mortos devido a ataques de animais selvagens quase triplicou num ano, chegando a 159 vítimas, segundo um relatório do Instituto Nacional de Estatística (INE) moçambicano.
Segundo o mesmo relatório, viviam em 2023 no interior das áreas protegidas moçambicanas 205.375 pessoas, em 162 comunidades, às quais se somam 501.737 em 504 comunidades nas zonas tampão a estes parques e reservas.
De acordo com dados anteriores da Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC), os ataques da fauna bravia em Moçambique destruíram, de 2019 a 2023, um total de 955 hectares de culturas agrícolas, como milho e mandioca.
O ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas moçambicano, Roberto Albino, reconheceu em 08 de abril o problema do aumento da população de elefantes na África Austral, defendendo uma resposta coordenada a nível regional.















































