Anteontem no Parlamento Europeu escreveu-se mais uma página da triste estória da aprovação da Clausula de Salvaguarda do SPG – Sistema de Preferências Generalizadas, que permite a importação massiva de arroz para a UE sem pagar direitos e colocando em risco a produção e a indústria orizícola europeia.
Para colocar em contexto, em 2019, a Cláusula de Salvaguarda foi activada para 380.000t durante 3 anos, agora só será activada nas 562.000t (+182.000t) e sujeita a análises anuais.
Por exemplo, uma tonelada de arroz embalado dos PMA (Países Menos Avançados – Camboja e Mianmar) chega à UE a 400,00€/t, quando o preço de referência na UE de uma variedade equivalente ascende a mais de 1.000,00€/t, devido aos custos de contexto da UE mais elevados (salários, fitofármacos proibidos/banidos, combustíveis, etc.).
A UE já importa mais de 30% de arroz embalado e branqueado que não passa pela nossa fileira, se esta tendência se mantiver, em poucos anos estaremos a assistir ao abandono de terras (pântanos, problema de saúde publica) e ao encerramento de indústrias.
Onde está a estratégia da UE quando entrega uma fileira inteira a países terceiros sem os mesmos critérios de qualidade do produto, fitofármacos sem qualquer reciprocidade, etc.?
A produção europeia é o nosso garante de ter stocks estratégicos de proximidade e de qualidade ímpar.
Com esta revisão do SPG, a fileira europeia do arroz fica entregue à sua sorte, mais de 100.000 agricultores e operários industriais têm o seu trabalho em sério risco.
Infelizmente para nós a votação foi esmagadora, 459 votos a favor, 127 contra (Obrigado!) e 70 abstenções. Antes de mais queremos agradecer aos 127 eurodeputados que nos apoiaram rejeitando esta proposta, mas lamentavelmente os eurodeputados portugueses não nos apoiaram, apenas 2 votaram connosco, os outros 19 deixaram-nos entregues à nossa sorte, em jeito de agradecimento final, obrigado João Oliveira (PCP) e Catarina Martins (BE)!
Fonte: Casa do Arroz















































