Uma garrafa de vinho mais leve que pretende diminuir custos aos produtores e transportadores e reduzir o impacto ambiental deverá estar no mercado no próximo ano, anunciou a Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CRVA).
A “Garrafa Leve do Alentejo” é uma garrafa de vidro de 390 gramas desenvolvida pela CVRA em parceria com a subsidiária portuguesa da vidreira espanhola Verallia e com produtores da região.
O projeto usou como referência o peso máximo de 420 gramas que retalhistas e produtores mundiais subscritores do Acordo sobre o Peso das Garrafas da Mesa Redonda do Vinho Sustentável determinaram como desejável para uma garrafa de vidro de 750 mililitros de vinho, contra a média atual de 550 gramas.
“É uma garantia que os supermercados procuram e até é mais baixa, portanto é um argumento comercial que é uma vantagem”, afirmou à agência Lusa o presidente da CVRA, Luís Sequeira, durante um evento de apresentação em Londres.
O responsável acrescentou que “a novidade é que é uma região que assume esse objetivo”, procurando efeitos de escala difíceis de alcançar por um único produtor e que podem beneficiar particularmente os pequenos viticultores.
A nova embalagem foi desenhada para ser compatível com linhas de engarrafamento de alto rendimento, ou seja, com mais de 10 mil garrafas por hora, permitindo economizar no consumo de matérias-primas e de energia, bem como nas emissões de gases com efeito de estufa.
Se for atingida a meta anual de 50 milhões de garrafas, esta medida poderá poupar, por ano, cerca de 1,5 toneladas de vidro e 1,2 toneladas na pegada de carbono, estima a CVRA.
Um estudo de mercado indicou que a maioria dos inquiridos (72%) não associa o peso da garrafa à qualidade, um “mito” no setor.
No entanto, o Coordenador de Sustentabilidade da CVRA, João Barroso, adiantou que um modelo mais leve, de 310 gramas, foi rejeitado por produtores por ser mais baixa, característica associada a vinho de menor qualidade.
A diretora de Produção e Qualidade da Adega de Borba, Helena Ferreira, revelou que a cooperativa já usa garrafas mais leves e que o peso reduzido “foi um ponto importante” para ganhar um contrato com o supermercado Lidl no Reino Unido.
“O mais importante neste projeto era ter uma garrafa comercial, que funcione com a distribuição. Esta garrafa é o equilíbrio entre ambos, uma garrafa mais leve, mas comercializável”, vincou.
Os testes para avaliar a resistência das garrafas nos canais logísticos longos, nomeadamente o risco de quebras, vão começar no primeiro trimestre do próximo ano.
A ideia da “Garrafa Leve do Alentejo” faz parte do Programa de Sustentabilidade dos Vinhos do Alentejo, cujos membros registaram, em média, uma redução de até 30% no consumo de água e de 20% no consumo de energia nos últimos cinco anos.
No ano passado, a CVRA lançou outra iniciativa, a ‘Re:Boxed’, uma caixa de transporte a partir da reciclagem de fitas dos rótulos de vinho, em parceria com a empresa Partícula Verde.
No futuro, perspetiva o fim do uso das cápsulas de proteção da rolha, tendo para isso gravado em relevo na marisa (rebordo no gargalo logo abaixo da boca) a inscrição “Vinhos do Alentejo” – apenas visível sem a cápsula.
Embora reconheça existir alguma resistência em alguns mercados, Luís Sequeira salientou que “as coisas estão a mudar muito rapidamente”.
“A CVRA tem a obrigação de ir dando pistas, que, depois, os agentes económicos seguem ou não, no sentido de dizer: é este o caminho que achamos que podemos fazer”, afirmou.














































