O preço de referência da castanha de caju em Moçambique vai subir 6,67%, para 48 meticais (0,67 euros), avançou hoje o Governo, que pediu o combate ao contrabando que causa prejuízos de milhões de euros todos os anos.
“Uma vez que houve debate antecipado e tendo em conta os consensos alcançados neste debate (…) anunciamos formalmente que o Comité de Amêndoas estabelece o preço de referência ao produtor de 48 meticais por quilograma”, disse o ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Albino.
O responsável falava em Maputo, após uma reunião do Comité de Amêndoas para definir o preço de referência de compra da castanha de caju ao produtor para a campanha de comercialização 2026/2027.
O novo preço por quilograma aumenta 6,67% face à campanha agrícola anterior, em que um quilo era comercializado a 45 meticais (0,61 euros).
“Vai vigorar nesta campanha a taxa de sobrevalorização da castanha de 22% contra os 18% que duraram no ano passado”, disse o ministro, exortando os produtores para continuarem a cuidar do cajueiro, a plantar mais cajueiros e também os industriais para que continuem resilientes para manter esta indústria.
O ministro da Agricultura pediu ainda maior controlo do contrabando de castanha de caju, indicando que só nos últimos três anos 35 mil toneladas deste produto foram contrabandeados, com um prejuízo de 457 milhões de meticais (6,3 milhões de euros), segundo informação do Instituto de Amêndoas.
Roberto Albino disse que este contrabando está igualmente a afetar as divisas no país, indicando que é preciso haver responsabilização criminal face aos casos.
O ministro sublinhou, na reunião, que são conhecidas as empresas que praticaram o contrabando de castanha de caju, tendo exportado para países como Índia e Vietname, sem declarar a exportação e, com isso, lesando o Estado, com o Governo a afirmar que se trata de um crime contra a economia que deve ser sancionado para além de ser considerado uma infração administrativa.
“Se queremos acabar com os contrabandistas em Moçambique, temos que criminalizar, temos que tratar como furto ao erário público. Tem que dar direito à cadeia”, disse o ministro.
De acordo com a informação do Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas, a produção de castanha de caju em Moçambique atingiu há 50 anos, ainda no período colonial, mais de 200 mil toneladas anuais e, até meados da década de 70, Moçambique era o segundo maior produtor mundial de caju (210 mil toneladas processadas em 1973), atrás apenas da Índia, que comprava na altura, e ainda hoje, grande parte dessa produção.
Após a independência de Moçambique, em 25 de junho de 1975, a produção caiu para menos de 10%, para cerca de 15 a 20 mil toneladas anuais, mas tem vindo anualmente a crescer e na última campanha de 2024/2025 ganhou destaque de maior produtor de castanha de caju, mantendo-se no sétimo lugar.
Segundo dados anteriores do Ministério da Agricultura, a cadeia de valor das amêndoas em Moçambique “conta com cerca de 1.047.000 famílias, 69 empresas e 7.287 trabalhadores em todo o pais” e só na província de Maputo essa atividade envolve 32.168 famílias sendo “o principal centro de consumo das amêndoas, gerando inúmeras oportunidades de negócio”.















































