Investigadores desenvolveram um sistema de edição genética CRISPR-Cas9 na leguminosa Medicago lupulina, conseguindo alterar a estrutura das folhas. A investigação poderá facilitar futuros estudos destinados a melhorar características das plantas utilizadas na alimentação animal.
✍️ Carla Amaro
A tecnologia CRISPR-Cas9 permitiu modificar geneticamente a Medicago lupulina, uma leguminosa utilizada na alimentação animal e como cultura de cobertura. O trabalho, desenvolvido por investigadores chineses e divulgado pelo ISAAA a 30 de setembro, representa um avanço na criação de ferramentas de edição genética para esta espécie.
Os investigadores desenvolveram um sistema que permite modificar de forma direcionada o gene MlPINNA1, envolvido no desenvolvimento das folhas. A intervenção genética alterou a estrutura foliar característica da planta, que passou a apresentar cinco folíolos, em vez dos três habituais.
CRISPR-Cas9 altera a estrutura das folhas
Para conseguir a edição genética, a equipa otimizou as condições de cultura de tecidos vegetais e os procedimentos necessários à regeneração das plantas. Desenvolveu também uma construção genética CRISPR-Cas9 destinada a inativar o gene MlPINNA1.
Foram obtidas três plantas editadas geneticamente, nas quais os investigadores confirmaram, através de sequenciação, as alterações introduzidas no gene-alvo. As três apresentaram folhas com cinco folíolos, confirmando o envolvimento de MlPINNA1 no desenvolvimento da estrutura foliar.
O resultado demonstra a possibilidade de utilizar a edição genética para modificar características específicas da Medicago lupulina, uma espécie para a qual as ferramentas de transformação genética ainda são limitadas.
Novas ferramentas para o melhoramento de plantas forrageiras
O desenvolvimento deste sistema de edição genética poderá facilitar a investigação de outras características agronómicas da Medicago lupulina, nomeadamente as relacionadas com a produção e a qualidade da forragem.
A possibilidade de modificar genes específicos abre novas oportunidades para estudar os mecanismos genéticos envolvidos em características de interesse agrícola. A ferramenta poderá também ser útil na investigação de espécies relacionadas, como a luzerna (Medicago sativa).
Contudo, a alteração da estrutura das folhas não demonstra, por si só, um aumento da produtividade ou do valor nutricional da planta. Serão necessários estudos adicionais para determinar se a característica introduzida proporciona efetivamente vantagens agronómicas.
Potencial para uma produção pecuária mais sustentável
As plantas forrageiras desempenham um papel importante na alimentação animal e nos sistemas agrícolas, contribuindo também, no caso das leguminosas, para a fixação biológica do azoto.
O desenvolvimento de ferramentas de edição genética adaptadas a estas espécies poderá facilitar a investigação de características que contribuam para melhorar a produtividade e a qualidade da forragem.
O estudo agora divulgado constitui um avanço metodológico neste domínio, ao disponibilizar um sistema CRISPR-Cas9 que poderá ser utilizado em futuras investigações sobre o melhoramento genético de plantas forrageiras.
Mais informação em ISAAA – Crop Biotech Update, CRISPR-Cas9 Editing Opens New Paths for Forage Improvement, 30 de setembro de 2026.
O artigo foi publicado originalmente em CiB – Centro de Informação de Biotecnologia.















































