Três meses após a reunião de arranque oficial na Wageningen University & Research, nos Países Baixos, o projecto FIT4CEA passou da fase de planeamento para a investigação activa, com trabalho já em curso em quatro Living Labs nos Países Baixos, na Grécia, em Espanha e em Itália.
O FIT4CEA (Futureproof Innovations and Technologies for Controlled Environment Agriculture) é um Projecto de Investigação e Inovação de 6 milhões de euros, com a duração de 48 meses, financiado pela União Europeia no âmbito do programa Horizonte Europa (Acordo nº 101287460, concurso HORIZON-CL6-2025-02-FARM2FORK-08). O projecto reúne 22 parceiros — universidades, institutos de investigação, associações de produtores e empresas tecnológicas — de 12 países europeus, bem como do Canadá e da Coreia do Sul, coordenado pela Wageningen University & Research.
A Agricultura em Ambiente Controlado (CEA, na sigla inglesa) abrange desde estufas de baixa tecnologia até explorações verticais de alta tecnologia, permitindo produzir alimentos durante todo o ano com maior eficiência de recursos, independentemente das condições climáticas exteriores. O trabalho do FIT4CEA está estruturado em torno de seis áreas: resiliência climática, eficiência hídrica e de recursos, sistemas circulares sem recurso a combustíveis fósseis, produção inteligente integrada, valor nutricional através de culturas inovadoras, e os enquadramentos políticos necessários para apoiar uma adopção mais alargada.
Quatro Living Labs, uma missão
No centro do projecto estão quatro Living Labs, cada um a testar uma abordagem diferente à CEA, adaptada às condições locais: Países Baixos (Wageningen University & Research) – gestão autónoma de estufas orientada por inteligência artificial; Grécia (Agricultural University of Athens) – controlo em tempo real das condições óptimas da zona radicular, para optimizar a eficiência no uso de água e nutrientes; Espanha (Universidad de Almería, com a COEXPHAL) – controlo climático passivo para produtores em estufa; e Itália (Alma Mater Studiorum – Università di Bologna, com a Kilowatt) – protocolos de culturas inovadoras para produção em ambiente interior e urbano.
«Os sistemas alimentares na Europa estão sob pressão real — devido às alterações climáticas, ao aperto das restrições de recursos e à necessidade de fornecer alimentos nutritivos a mais pessoas com menos terra e água. A Agricultura em Ambiente Controlado não vai resolver isto por si só, mas dá-nos um conjunto de ferramentas que podemos utilizar», refere Leo Marcelis, coordenador do Projecto FIT4CEA e director do Grupo de Horticultura e Fisiologia de Produtos na Wageningen University & Research. E acrescenta: «O que torna este consórcio diferente é que não estamos a testar uma única solução na esperança de que se generalize a todos os contextos. Estamos a testar quatro abordagens genuinamente diferentes, em quatro climas diferentes, em conjunto com os produtores e as indústrias que efetivamente as vão utilizar. Se conseguirmos fazê-lo bem, as lições de cada Living Lab deverão ser transferíveis — de Wageningen para Atenas, para Almería e para Bolonha.»
Para além dos Living Labs, a investigação do FIT4CEA abrange ainda seis áreas adicionais: inteligência artificial e cultivo autónomo, detecção e IoT, fotónica e iluminação, sistemas de água e nutrientes, integração de energias renováveis, e culturas inovadoras e nutrição.
O artigo foi publicado originalmente na Revista Frutas, Legumes e Flores.
















































