O futuro do Douro passa pelo diálogo, pela criação de valor e pelo reforço do papel dos viticultores, defendeu hoje o vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), Paulo Ramalho.
No dia em que viticultores se concentraram em frente à sede do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP), no Peso da Régua, a CCDR-N refere, em comunicado, que o plano executivo para a Gestão Sustentável e Valorização do Setor Vitivinícola da Região Demarcada do Douro (RDD) tem medidas orientadas “para reforçar a competitividade da fileira, valorizar os vinhos e assegurar a sustentabilidade económica, social, ambiental e paisagística do território”.
Na Régua, os viticultores reclamaram medidas, a aplicar já na vindima que está a começar, para ajudar no escoamento das uvas e na sua venda a preços justos.
A CCDR-N fez parte do grupo de trabalho responsável pelo plano executivo que, ao longo de oito reuniões, definiu um conjunto de medidas estratégicas que foram apresentadas ao Governo em julho.
Para Paulo Ramalho, este documento “resulta de um amplo processo de diálogo entre os vários agentes do território e da fileira vitivinícola, procurando responder aos desafios estruturais que afetam a RDD”.
O vice-presidente da CCDR-N considera que os “viticultores têm sido, nos últimos anos, o elo mais vulnerável da cadeia de valor, defendendo que a valorização da produção depende de um esforço conjunto de todos os intervenientes do setor”.
“Sem produtores não haverá comércio e, sem comércio, o viticultor dificilmente verá a sua produção valorizada. Por isso, o diálogo, a construção de consensos e a articulação entre todos os intervenientes e demais agentes do território são fundamentais para a boa implementação das medidas previstas”, realça, citado em comunicado.
Paulo Ramalho destaca ainda que o Plano de Ação para a Gestão Sustentável e Valorização do Setor Vitivinícola da RDD “deve ser entendido como um processo em desenvolvimento e não um caminho fechado, assente em objetivos claros de equilíbrio da fileira e de criação de valor para o território”.
O plano, segundo o comunicado, “responde aos principais desafios estruturais da RDD”, entre os quais “a pressão sobre os rendimentos dos viticultores, o desequilíbrio entre a oferta e a procura, a necessidade de aumentar o valor acrescentado da produção e a preservação do património paisagístico e ambiental”.
Entre as medidas previstas estão a definição de custos de produção de referência, o reforço da transparência nas relações comerciais através da introdução de contratos escritos para a transação de uvas, a criação de novos instrumentos de apoio aos viticultores, o desenvolvimento de mecanismos de gestão da oferta, a promoção internacional dos vinhos do Douro e do Porto, o reforço do enoturismo e a implementação de medidas orientadas para a sustentabilidade ambiental e para a valorização da paisagem duriense.
Paulo Ramalho lembra ainda o papel dos viticultores na preservação do património duriense, salientando que, “além da sua função produtiva, contribuem para a promoção da biodiversidade, para a conservação dos ecossistemas e para a manutenção da paisagem que distingue a região”, destacando que, em 2026, se celebram os 25 anos da classificação do Alto Douro Vinhateiro como Património Mundial da UNESCO.
A CCDR-N considera que o plano constitui “um passo decisivo para consolidar uma visão integrada e sustentável para o futuro da RDD, promovendo uma maior criação de valor, reforçando a competitividade da fileira vitivinícola e criando melhores condições para o desenvolvimento económico e social de um território reconhecido internacionalmente pela excelência dos seus vinhos e pela singularidade da sua paisagem”.













































