O presidente do Conselho de Administração da Companhia das Lezírias alertou para a queda do preço da cortiça, de cerca de 30% nos últimos dois anos, o que ameaça a sustentabilidade económica do setor.
Em declarações à agência Lusa, Eduardo Oliveira e Sousa afirmou que a campanha de extração de cortiça deste ano decorreu “de forma perfeitamente regular”, com uma produção ligeiramente superior ao esperado, totalizando 780 toneladas.
“A cortiça veio bem, as árvores tiveram cortiça e, por isso, a obtenção do produto foi bastante bem conseguida”, afirmou.
Segundo o responsável, a extração iniciou-se em meados de junho e terminou na passada sexta-feira, tendo a empresa registado uma produção próxima das 780 toneladas, equivalente a cerca de 52 mil arrobas, um volume em linha com o alcançado na campanha de 2025.
Após o processo de secagem, a companhia estima comercializar entre 44 mil e 45 mil arrobas de cortiça.
Apesar dos resultados produtivos positivos, Eduardo Oliveira e Sousa manifestou preocupação com a evolução do mercado, referindo que o preço pago à produção registou uma quebra acumulada superior a 30% nos últimos dois anos.
“O que não corre bem é a questão económica. Os preços estão muito em baixo”, disse, considerando que a situação deverá merecer uma reflexão por parte do Ministério da Agricultura e da tutela das florestas.
Para o responsável, a desvalorização da cortiça pode ser explicada por três fatores principais: a redução do consumo de vinho e, consequentemente, da procura por rolhas naturais, os avanços tecnológicos que permitem produzir rolhas de elevada qualidade a partir de cortiça de menor valor e a concentração empresarial na indústria transformadora.
“A conjugação destes fatores está a fazer baixar demasiadamente o preço da cortiça na sua origem”, sustentou.
Segundo o responsável, caso esta tendência se mantenha, o montado de sobro poderá entrar “numa situação de risco”, uma vez que a quebra de rendimentos tende a reduzir o interesse económico dos proprietários na sua gestão e conservação.
Nesse contexto, defendeu a criação de mecanismos de apoio aos produtores florestais, à semelhança das ajudas previstas na Política Agrícola Comum para vários setores agrícolas.
“Se o país pretende manter um determinado estatuto neste montado de sobreiros, tem de olhar para o problema do rendimento que os agricultores retiram dele”, afirmou.
A comercialização da cortiça extraída pela Companhia das Lezírias encontra-se já assegurada através de contrato previamente estabelecido com o comprador, seguindo-se agora as operações de pesagem, seleção e transporte do produto.
De acordo com o presidente da empresa pública, a atividade da cortiça representa mais de 10% dos proveitos anuais da Companhia das Lezírias, já descontados os respetivos custos de produção.
Questionado sobre os efeitos das tempestades registadas no início do ano, Eduardo Oliveira e Sousa referiu que o impacto no montado de sobro foi limitado, apesar da queda de algumas dezenas de árvores.
“Os prejuízos principais ocorreram nos pinheiros e em alguns eucaliptos”, explicou, acrescentando que a quantidade de sobreiros afetados não comprometeu significativamente a campanha.
Eduardo Oliveira e Sousa sublinhou ainda a importância ambiental do montado de sobro, considerando que o seu valor vai muito além da produção de cortiça.
Segundo o responsável, estes ecossistemas desempenham um papel relevante “na conservação da biodiversidade, ao servirem de ‘habitat’ para numerosas espécies animais e vegetais, contribuindo também para a retenção de humidade nos solos, para a regulação da temperatura e para a captura de dióxido de carbono da atmosfera.
“É muito importante que o Governo olhe para este enorme valor ambiental que é o montado de sobro”, concluiu.













































