A Região Demarcada do Douro vai transformar um total de 76 mil pipas de mosto em vinho do Porto nesta vindima, mais mil do que no ano anterior, decidiu hoje o conselho interprofissional da região.
O benefício de 76 mil pipas (550 litros cada) de mosto para produção de vinho do Porto foi o principal resultado do comunicado de vindima aprovado hoje pelo conselho interprofissional do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP), que esteve reunido no Peso da Régua, distrito de Vila Real.
Em 2025, o quantitativo foi fixado nas 75 mil pipas.
O presidente do IVDP, Gilberto Igrejas, realçou o acordo entre produção e comércio, o que, na sua opinião, mostra que os conselheiros “avaliam bem a situação atual”.
“E esta unanimidade prevê, desde logo à partida, que de alguma forma haja aqui um compromisso entre a produção e o comércio para aquilo que é a quantidade a beneficiar este ano, por forma a que possamos ter uma região mais valorizada em prol da sustentabilidade económica, social e ambiental de todos os agricultores”, afirmou.
No Douro, o benefício desceu das 104 mil pipas em 2023 para as 90 mil em 2024 e as 75 mil em 2025, numa quebra em três anos de 29 mil pipas.
Cada pipa de vinho do Porto pode corresponder a uma média de mil euros pagos aos viticultores, sendo o benefício uma das principais fontes de rendimento dos produtores durienses.
“O importante é que não houve uma diminuição, portanto, houve um estabelecimento do valor e até houve um acréscimo de mais mil pipas, o que mostra bem o compromisso das profissões”, salientou Gilberto Igrejas.
Para além do presidente do IVDP, que representa o Estado, o conselho interprofissional é composto pelos dois vice-presidentes e representantes da produção e do comércio distribuídos pelas duas secções especializadas (Porto e Douro).
Rui Paredes, vice-presidente indicado pela produção e presidente da Casa do Douro, afirmou que o benefício de 76 mil pipas “fica um pouco aquém daquilo que eram as pretensões” da produção, mas encarou o valor fixado “como um sinal”, referindo ainda que “dá alguma estabilidade ao viticultor, descrevendo-o como “uma âncora para o pagamento das despesas fixas”.
Defendeu que são necessárias mais medidas e que é preciso apostar na promoção e aumentar as vendas de vinho, porque só assim é que se pode “também aumentar o benefício de cada ano”, e apontou ainda caminho para umas transformações porque as pessoas “não podem andar nesta montanha russa que é vem para cima, vai para baixo”.
“Significa um ligeiríssimo aumento relativamente ao valor do ano passado, o que é um sinal positivo para a região considerando que temos muitos sinais negativos por esse mundo fora e que se consubstanciam numa redução do volume de vendas até junho e, portanto, neste quadro, eu diria que é positivo por ser um ligeiro, mas um aumento relativamente ao ano anterior”, referiu o vice-presidente indicado pelo comércio, António Filipe.
O também presidente da Associação das Empresas de Vinho do Porto (AEVP) salientou também que se trata de um sinal que se quer dar à região de que há muitos pontos em comum.
“Eu diria que há muitos mais pontos em comum do que pontos em divergência e, portanto, também é uma porta para um diálogo que nós queremos aumentar com a produção”, frisou.
O consumo de vinho a nível mundial está em queda, um decréscimo que se sente também no vinho do Porto. Segundo a AEVP, desde o início do ano e até junho, as quebras nas vendas de vinho do Porto são superiores a 10%, esperando, no entanto, uma recuperação até ao final do ano.
“Não acontece só relativamente ao vinho do Porto, acontece com todos os vinhos do mundo, aliás, eu queria deixar esta nota que eu considero importante, o vinho do Porto é de longe o vinho fortificado que tem mostrado mais resiliência à queda em todo o mundo”, afirmou.
As previsões apontam para um aumento de produção de vinho na ordem dos 25 a 30% no Douro, comparativamente com a colheita de 178 mil pipas em 2025, mas as condições meteorológicas, como as ondas de calor que se têm verificado, podem ainda influenciar a produção final.
Nos últimos anos em que se verificou uma produção maior, os viticultores queixaram-se de dificuldades de escoamento das uvas e da venda a preços mais baixos.
A vindima no Douro deve começar a partir de meados de agosto.













































