O olival mediterrânico tem resistido durante séculos a secas, geadas e pragas. Mas as alterações climáticas estão a pôr à prova essa resistência como nunca antes, e a Ciência já está a apresentar respostas. Nos dias 2 e 3 de julho, o Olive Oil World Congress (OOWC) reunirá em Lisboa investigadores de Portugal, Espanha, Tunísia e Grécia para procurar soluções urgentes para a questão central do futuro do setor: como manter uma cultura viva e produtiva quando a disponibilidade de água já não está garantida
Congresso reunirá especialistas internacionais como Carla Inês, Antonio Manzaneda, Paula Baptista, Kamel Gargouri, Georgios Koubouris, Juan Antonio Polo, José Alberto Pereira, Karolina Brkić Bubola e Gonçalo Moreira, que abordarão diversos temas, desde o melhoramento genético e a gestão da água até aos modelos de negócio circulares, às tecnologias digitais e ao mercado de créditos de carbono, configurando o debate mais completo que o setor olivícola promoveu nos últimos anos
Poucas imagens ilustram melhor a capacidade transformadora da água sobre um território do que a do Alentejo português desde a construção do Alqueva, uma das maiores barragens da Europa Ocidental, que alterou para sempre a fisionomia agrícola da região. O olival foi uma das culturas mais beneficiadas. Precisamente o país onde este “milagre hídrico” se tornou realidade acolherá, nos dias 2 e 3 de julho, o
Não se trata de um debate abstrato. As temperaturas são cada vez mais extremas, os períodos de seca prolongam-se e a precipitação torna-se cada vez mais irregular em culturas que, durante séculos, se adaptaram a uma certa estabilidade mediterrânica. O olival, apesar da sua resistência natural, começa a sofrer os efeitos do stress hídrico, e a resposta científica chegará ao OOWC através de várias abordagens complementares.
Uma das respostas mais promissoras reside no melhoramento genético. Georgios Koubouris, do centro de investigação grego ELGO DIMITRA, apresentará as mais recentes tecnologias de fenotipagem vegetal aplicadas ao melhoramento da oliveira para a resiliência climática, com o objetivo de identificar e desenvolver variedades capazes de suportar condições cada vez mais adversas sem comprometer a produtividade.
A gestão da água e as estratégias agronómicas estarão no centro da mesa-redonda protagonizada por Carla Inês, investigadora do INIAV em Elvas — um território que conhece bem o significado de dispor de água numa região historicamente árida —, Antonio Manzaneda, da Universidade de Jaén, Paula Baptista, do Instituto Politécnico de Bragança, e Kamel Gargouri, do Institut de l’Olivier da Tunísia.
Três países, três realidades climáticas e uma mesma questão: que ferramentas agronómicas permitem ao olival adaptar-se e manter a sua produtividade quando a água não está assegurada? Espanha contribuirá com a perspetiva de um setor líder a nível mundial, mas cada vez mais exposto à aridez em grande parte do seu território. A Tunísia trará décadas de experiência num contexto onde a escassez hídrica não é uma ameaça recente, mas uma condição permanente com a qual os olivicultores convivem há gerações.
O Congresso abre também uma dimensão que vai além do campo, entrando na economia ambiental e na sustentabilidade. Juan Antonio Polo, do Conselho Oleícola Internacional (COI), analisará o mercado voluntário de créditos de carbono como uma forma de reconhecer e remunerar os serviços ambientais prestados pelo olival na mitigação das alterações climáticas.
José Alberto Pereira, do Instituto Politécnico de Bragança, destacará o papel do olival tradicional como fonte de biodiversidade e de serviços dos ecossistemas. Gonçalo Moreira, da Olivum, abordará a necessidade de mecanismos que permitam medir e valorizar o esforço de sustentabilidade desenvolvido pelo setor. Por sua vez, Karolina Brkić Bubola, do Instituto de Agricultura e Turismo da Croácia, explicará como os modelos de negócio circulares e as tecnologias digitais podem impulsionar novas oportunidades de desenvolvimento sustentável no setor olivícola, no âmbito do projeto Circular Bioeconomy.
Desde as variedades desenvolvidas em laboratório até aos créditos de carbono negociados no mercado, o OOWC traçará em Lisboa um percurso completo pelos desafios que as alterações climáticas colocam ao olival mediterrânico. Um debate que encontra em Portugal um cenário particularmente simbólico: o de um país que sabe o que a disponibilidade de água pode fazer por um território quando é gerida com visão de futuro.
Todas as pessoas, empresas e instituições públicas ou privadas do setor olivícola interessadas em participar neste Congresso podem formalizar a sua inscrição através do seguinte link: https://www.oliveoilworldcongress.com/inscription
O Congresso conta já com o apoio institucional do Conselho Oleícola Internacional (COI), do CIHEAM Zaragoza e da Fundação Dieta Mediterrânica, bem como de entidades públicas como o Ministério da Agricultura e Assuntos Marítimos de Portugal, a Junta de Castilla-La Mancha (“Campo y Alma”), a Generalitat da Catalunha e o IMIDRA.
No âmbito privado, apoiam já esta segunda edição, para além da Olivum, entidades como AgroBank, a Interprofissional do Azeite de Oliva Espanhol, GEA Group, Novonesis, APOAC (Associação para a Promoção do Olival e Azeite de Aire e Candeeiros), através da sua marca comercial “Olivedos do Carso”, Adsaica (Associação de Desenvolvimento das Serras de Aire e Candeeiros), Feira de Saragoça (ENOMAQ), Kubota, Dazeite e Siliker, bem como a OlivoGestão enquanto patrocinadora do Concurso de Posters Científicos.
O OOWC convida todos os interessados a fazer parte deste projeto internacional colaborativo, explorando as diferentes modalidades de cooperação e patrocínio, e coloca à sua disposição toda a informação necessária através da Secretaria Técnica do OOWC, pelo telefone +34 91 721 79 29 ou através do e-mail info@oliveoilwc.com.
Fonte: OOWC













































