O Zimbabué pagou cerca de 521 milhões de dólares (504 milhões de euros) em indemnizações a agricultores brancos pelos terrenos expropriados em 2000, durante o programa de reforma agrária do então Presidente Robert Mugabe, informou hoje um porta-voz governamental.
“Até esta data, o Governo desembolsou 508 milhões de dólares em títulos do tesouro e realizou pagamentos em dinheiro no valor de 12,6 milhões de dólares aos antigos agricultores brancos cujas terras foram adquiridas durante o Programa de Reforma Agrária do país”, afirmou Nick Mangwana, porta-voz do Governo zimbabueano, na sua conta da rede social X.
Um total de 623 agricultores foram abrangidos com estas compensações, segundo o vice-ministro das Finanças, Desenvolvimento Económico e Promoção do Investimento, Kudakwashe Mnangagwa, em declarações recentes na Assembleia Nacional (câmara baixa do Parlamento).
O pagamento de compensações aos proprietários das fazendas é um passo importante no processo de liquidação dos pagamentos em atraso e na resolução da avultada dívida contraída pelo país, em incumprimento desde 1999, a fim de recuperar a confiança dos credores internacionais.
O Governo do já falecido Robert Mugabe, que dirigiu o país com mão de ferro entre 1980 e 2017, quando foi afastado do poder pelos militares, expropriou em 2000 cerca de 4.000 agricultores brancos das terras a que tinham acedido na época colonial, num momento em que o país vivia uma recessão económica.
Os agricultores brancos desempenharam um papel fundamental na economia agrícola até 2000, produzindo tabaco e produtos hortícolas, como flores, para exportação.
A população negra começou então a ocupar de maneira informal os campos que ficaram vazios.















































