A associação Vinha Viva quer proteger o conceito de viticultura regenerativa e ajudar os produtores na transição para este modelo, encarado como a única forma de criar valor e de subsistir no setor agrícola, foi hoje divulgado.
A Vinha Viva – Associação Portuguesa de Viticultura Regenerativa vai ser apresentada em 21 de janeiro, no Terreiro do Paço, em Lisboa.
“A comissão instaladora é totalmente formada por produtores de vinho, que praticam a viticultura regenerativa já há muitos anos, que estão consolidados e acreditam neste modelo de produção, com provas dadas no setor, e que decidiram que o conceito devia ser protegido”, adiantou o presidente da comissão instaladora, Renato Neves, em declarações à agência Lusa.
Segundo o responsável, tem-se registado um interesse crescente no conceito de agricultura regenerativa, acreditando-se que “é o novo sustentável”, o que tem assustado os produtores.
A Vinha Viva tem, por isso, dois grandes objetivos: proteger o conceito de viticultura regenerativa e ajudar outros produtores na transição para a mesma, acreditando que esta “é a única forma de criar valor e subsistir, em termos agrícolas, dentro do setor”.
“Há uma base muito grande de produtores que, ou já estão na viticultura regenerativa, ou querem transitar para ela, e nós vamos criar as condições para poderem transitar com o mínimo de risco e o máximo de conhecimento”, reiterou Renato Neves.
Segundo o responsável, a agricultura regenerativa parte do princípio que existe um estado de degradação elevado do solo e dos ecossistemas, os quais procura restaurar.
“Através do conhecimento científico sobre os ciclos naturais, podemos restaurá-los a para que a nossa cultura, no nosso caso a vinha, possa desenvolver-se, fortificar com qualidade, com boas uvas, com o mínimo de ‘inputs’ possível”, explicou.
Para tal, é necessário “restabelecer os ciclos, o do carbono, o da água, dos nutrientes, restabelecer a microbiologia dos solos”, abandonando o uso de fertilizantes sintéticos e fungicidas, para que as plantas voltem a cumprir o seu papel: “saber nutrir-se com aquilo que existe no solo e defender-se das agressões, das pragas, das doenças, com o seu próprio sistema imunitário”, clarificou.
Desta forma, a associação de viticultura acredita ser possível assegurar “a continuidade da produção” e a “viabilidade económica” da mesma.
Para a Viniportugal, entidade que coordena o referencial nacional de sustentabilidade no setor, implementado em janeiro de 2023, a criação da Vinha Viva “é uma medida louvável”.
“Em Portugal não sentimos muito, mas no Canadá, Japão e em muitos países da Europa, cada vez mais é uma exigência dos importadores e dos consumidores que os produtos venham de produtores com práticas sustentáveis. Os nossos produtores têm vindo a adaptar-se e, neste momento, já temos 62 certificados em sustentabilidade, nas vertentes ambiental, social e económica”, adiantou o presidente da Viniportugal, Frederico Falcão.
A Viva Vinha é composta por 11 sócios fundadores, técnicos com formação reconhecida em viticultura biológica, em nome individual, que se juntaram para formar a comissão instaladora.
A admissão de novos sócios é aberta a técnicos da área e a empresas que tenham área de vinha registada no Instituto da Vinha e do Vinho.

















































