UE proíbe insecticida da Bayer com efeitos nefastos sobre abelhas

UE proíbe insecticida da Bayer com efeitos nefastos sobre abelhas

Os agricultores da União Europeia vão passar a ter, a partir do próximo ano, menos uma opção no que toca a pesticidas. Os 28 acordaram, na semana passada, que a substância tiaclopride — vendida sob o nome comercial Calypso e Biscaya — deverá ser banida dos campos agrícolas da União.

Tudo começou com um pedido: a Bayer CropScience quis renovar a autorização da venda de Biscaya, o nome que dá ao tiaclopride em território europeu. Mas o pedido acabou rejeitado pela Comissão Europeia, escreve a Bloomberg, com o voto da maioria dos países da União.

A autorização de venda da multinacional alemã termina em Abril de 2020 e o plano é que, a partir dessa altura, a substância não seja usada na União Europeia. A Comissão diz que a proibição deverá ser formalizada no final do ano.

A Comissão Europeia baseou a sua decisão no relatório da Agência de Segurança Alimentar da União Europeia (EFSA), publicado em Janeiro de 2019. No texto, a agência sublinhava as preocupações com a principal substância activa, que se pensa que poderá ser tóxica para humanos e que apresentava uma concentração muito alta nas águas subterrâneas, informou um porta-voz da EFSA por e-mail à Reuters.

Em França, esta substância já está proibida desde 2018, com o argumento de que a sua utilização está ligada ao aparecimento de cancro e problemas reprodutivos nos agricultores que trabalham com ela. Ao mesmo tempo, provou ser prejudicial para abelhas e outros insectos polinizadores.

De acordo com um estudo da Sociedade Britânica de Ecologia, publicado no Jornal de Ecologia Aplicada, “há relatos alarmantes” acerca do declínio de insectos, “com a poluição agrícola” a ser uma das principais causas.“Isto também é verdade para o tiaclopride, reconhecido por estar a causar riscos ambientais maiores do que os estudos em laboratório indicaram num primeiro momento.”

Bayer defende substância

A Bayer disse respeitar a decisão da União Europeia no que respeita à não renovação da licença, mas reforça que o produto é seguro quando usado de acordo com as medidas de segurança aconselhadas. A empresa acrescenta ainda que os produtos à base de tiaclopride são importantes para os agricultores de toda a União, especialmente aqueles que têm plantações mais pequenas, cita o site sobre agricultura Farmer’s Weekly.

A substância é usada como um pesticida em plantações como as de batatas, por exemplo. Ao apresentar níveis elevados de toxicidade para as pestes, também os apresenta para as abelhas, afectando o seu sistema nervoso. 

Não é o primeiro pesticida do género proibido pela União Europeia: já três outros neonicotinóides (classe de insecticidas onde entra o tiaclopride) foram proibidos em Abril de 2018 – com uma excepção para a utilização em estufas. Já em França, baniu cinco insecticidas (três deles neonicotinóides), incluindo em estufas, por serem nefastos para as abelhas.

Já nos EUA, a Administração Trump levantou no início de Agosto a proibição destes insecticidas, uma medida que estava em vigor há quase dois anos.

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