Acréscimo: Programa do Governo no que respeita às florestas é “uma desilusão”

Acréscimo: Programa do Governo no que respeita às florestas é “uma desilusão”

A direcção da Acréscimo – Associação de Promoção ao Investimento Florestal considera “uma desilusão o Programa do XXII Governo Constitucional no que respeita às florestas”.

“A transferência do pelouro das florestas do Ministério da Agricultura para o do Ambiente e da Acção Climática não aportou nada de novo. Acentuou-se a tónica na “gestão do fogo”. Ou seja, na incidência sobre as consequências, ignorando as causas dos problemas da actividade silvícola em Portugal”, pode ler-se num comunicado da Acréscimo.

Para os responsáveis pela Associação, a “reforma” da floresta, iniciada em 2016, “concretizou-se numa queda do Valor Acrescentado Bruto (VAB) e no rendimento da silvicultura, de acordo com os dados até agora conhecidos. Com efeito, segundo as Contas Económicas da Silvicultura, publicadas pelo Instituto Nacional de Estatística, no decurso de uma ténue recuperação registada entre 2009 e 2015, após queda abrupta entre 2000 e 2008, em 2016 o VAB da silvicultura contraiu 3,4% em valor e 1,9% em volume”.

E acrescentam que em 2016 o rendimento empresarial líquido da silvicultura “registou um decréscimo de 6,9%. No mesmo sentido, em 2017 o VAB da silvicultura diminuiu 1,0% em valor e 2,3% em volume. Em 2017 o rendimento empresarial líquido da silvicultura registou um decréscimo de 3,3%”.

Governo sem medidas

“Não se vislumbram no Programa do XXII Governo Constitucional medidas para combater o declínio acima registado. Efectivamente, acentuam-se as despesas na actividade silvícola, com melhoria da produtividade, na “gestão do fogo”, sem que se tonem medidas no sentido de garantir o rendimento necessário ao seu suporte, tendo em conta o funcionamento dos mercados em concorrência imperfeita”, realça o mesmo comunicado.

Para a Acréscimo, esta “situação nos mercados é recorrentemente reconhecida, todavia sem que se tomem medidas eficientes e eficazes para a transparência, uma leal concorrência e uma adequada distribuição da riqueza ao longo das fileiras, com impacte na produção de madeiras e cortiça”.

“A par da ausência de medidas que garantam eficiência e eficácia à melhoria do rendimento dos proprietários e produtores florestais, designadamente pela criação de entidade reguladora, são incipientes as medidas que possam contribuir para o aconselhamento técnico e comercial (reforçamos, comercial) a estes agentes económicos, concretamente com um serviço nacional de extensão florestal”, reforça a direcção da Acréscimo.

Agricultura e Mar Actual

O artigo foi publicado originalmente em Agricultura e Mar.

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