A propósito do questionário em curso lançado pela União Europeia sobre o assunto em referência, gostaria de afirmar que os criadores de frangos de carne são os primeiros interessados em proporcionar bem-estar às aves. Por isso respeitam as densidades de ocupação atualmente permitidas pela União Europeia e, de forma progressiva, estão a proporcionar, às galinhas reprodutoras e aos frangos criados em ambiente confinado, condições em que controlam importantes parâmetros ambientais: temperatura, amoníaco, dióxido de carbono, humidade relativa e intensidade luminosa (note-se que, em Portugal, mais de 3 milhões de habitações dispõem de janelas sem vidro duplo).
Os avicultores sabem que só num ambiente confortável é possível atingir bons desempenhos zootécnicos, suscetíveis de proporcionar aos consumidores uma proteína animal saborosa e barata.
O que antecede, associado aos progressos que se vêm registando no melhoramento genético, na profilaxia e na alimentação, tem conduzido a uma eficiência alimentar cada vez melhor, com reflexos muito positivos em termos económicos e ambientais. Atualmente, considerando a mesma produção global, a eficiência decorrente dos avanços no melhoramento genético dos frangos permite diminuir o cultivo de 600 mil hectares por ano, de que resulta um contributo importante para o ambiente, nomeadamente na medida em que reduz a mobilização dos solos, a aplicação de adubos azotados e a desflorestação.
De tudo o que antecede decorre a obtenção de menores custos de produção, favorecendo assim o acesso ao consumo de proteína animal de elevado valor nutritivo e saborosa, o que se reveste de particular importância, nomeadamente em Portugal, onde 20% da população residente se encontra em risco de pobreza.
Situação diferente é a que respeita aos frangos de crescimento lento, a que corresponde uma baixa eficiência alimentar, o que significa que neste caso para obtenção de 1 kg de proteína é necessário que as aves consumam mais alimentos, o que exige o cultivo de áreas mais amplas e maior uso de adubos azotados. Estes, embora sejam reconhecidamente indispensáveis para se atingirem elevadas produtividades nas culturas vegetais, o seu fabrico e uso estão associados a uma poluição que importa minimizar. Decorrente do que antecede, o preço da carne dos frangos de crescimento lento é mais elevado e, no caso português, a maioria dos consumidores prefere saborear um frango de crescimento rápido, em geral grelhado.
Finalmente, no caso das aves criadas ao ar livre, que tanta simpatia suscitam à generalidade das pessoas, importa sublinhar os elevados riscos sanitários inerentes a este tipo de criação, com relevo para a gripe aviária e a salmonelose.
Em concordância com o que precede, o inquérito muito recente, que a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) dirigiu aos cidadãos europeus, revelou que o custo e o sabor dos alimentos são os fatores que mais influenciam as decisões dos consumidores. De salientar que a larga maioria dos cidadãos europeus revelou também confiar no controlo que é efetuado à segurança dos alimentos.
Manuel Chaveiro Soares
Engenheiro Agrónomo, Ph.D.












































