Rewilding Portugal arrancou programa de educação ambiental que junta várias gerações
A Rewilding Portugal, com financiamento da Fundação Calouste Gulbenkian, iniciou o seu primeiro programa de educação ambiental no território do Grande Vale do Côa, com a novidade de ser um programa dedicado em simultâneo aos mais novos e aos mais velhos e querendo juntá-los aliás na paisagem e na sua interpretação.
Janeiro e Fevereiro têm sido meses de muitas sessões inseridas neste projeto dividido em três fases distintas. É um projeto inédito na Rewilding Portugal que ainda não tinha tido nenhum programa estruturado de educação ambiental e que o financiamento da Fundação Calouste Gulbenkian veio apoiar e tornar possível. Tem ainda a especificidade de unir operadores privados e parceiros nesta missão tão especial de educar para a natureza e para o restauro ecológico.
Este projeto, que tem o objetivo de aproximar as comunidades locais à prática de rewilding, para que estas a compreendam e se envolvam cada vez mais em iniciativas deste género, vai passar por mais de um dezena de escolas e lares do distrito da Guarda, tendo programado impactar diretamente mais de 350 alunos de várias faixas etárias e ainda mais de 170 seniores de diferentes instituições da região. Serão oito os municípios por onde passará este projeto: Almeida, Guarda, Figueira de Castelo Rodrigo, Mêda Penamacor, Pinhel, Sabugal e Vila Nova de Foz Côa.

E como funcionam as diferentes fases do programa? Numa primeira fase, a Rewilding Portugal, em conjunto com os seus guias de natureza parceiros, Fernando Romão (Wildlife Portugal), Samuel Ribeiro (Beir’aja) e Marco Ferraz (Ambieduca) tem percorrido escolas e lares destes concelhos para desconstruir e explicar o termo rewilding e como é executado no terreno, os benefícios de uma estratégia de restauro ecológico, a importância da natureza no nosso dia-a-dia e voltar assim a ligar diferentes gerações à volta da paisagem que as rodeia e interliga entre si mesmo sem notarem. Um objetivo claro de recuperar a ligação destes dois grupos etários ao património natural do qual ainda hoje muitos dependem diretamente e que esconde muitas vezes uma magia esquecida que se procura reavivar. Existe ainda o objetivo de explicar a profissão de guia de natureza e as possibilidades profissionais que a mesma oferece a quem a quiser seguir ou tiver essa curiosidade, uma escolha profissional que pode vir a ser cada vez mais determinante e procurada neste território. Para estas sessões é utilizado o documentário “Côa Mais Selvagem”, com a interpretação de diversos excertos que ajudam exatamente a tornar o rewilding cada vez mais acessível e entendível.

Seguem-se depois mais duas fases no terreno. Os alunos e seniores envolvidos na primeira fase irão em grupos ainda separados visitar a área rewilding mais próxima do seu concelho para terem uma proximidade ainda maior com o trabalho desenvolvido e para poderem testemunhar ao vivo e a cores como se materializa esta abordagem de conservação e restauro no terreno. Posteriormente então, a última fase vai unir este projeto intergeracional com alunos e seniores a passarem dois dias juntos, em formato de retiro de campo, para uma experiência ainda mais imersiva na paisagem, em que para além da interpretação e envolvimento nesta, se espera também uma troca de conhecimentos e vivências, até sobre o uso da terra e sobre o que a paisagem é e significa hoje em dia e o que já foi e significou no passado. Serão ainda convidados embaixadores locais que trarão conhecimentos tradicionais daqueles lugares: histórias, costumes, formas de produzir determinados produtos, procurando-se que daí saiam diversos workshops que permitam a todos beber desses conhecimentos e ter a oportunidade de os praticar também.

O rewilding também é isto mesmo: reconectar gerações, recuperar referências na paisagem que foram sendo perdidas, mas que ainda existem e podem trazer-se de volta, e ainda garantir que a próxima geração valoriza o mundo selvagem que pode voltar a ser muito do que aquilo que já foi, se existir um compromisso geracional para que tal aconteça. Este projeto é financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian.
Fonte: Rewilding Portugal













































