Os produtores de cereja do distrito de Bragança preveem uma boa campanha este ano, com fruto de qualidade, bom calibre e em grandes quantidades, após três anos de fracasso nesta cultura, revelaram hoje à Lusa.
Segundo Pedro Morgado, agricultor de Vilarelhos, no concelho de Alfândega da Fé, a produção deste ano está excelente devido às condições meteorológicas.
“Estamos mesmo com a temperatura ideal. Hoje de manhã, às 07:00 estavam sete graus, se calhar, agora estão 18 ou 19, é a temperatura ideal. Como não choveu, a cereja mantém-se, as que são regadas, no perímetro de rega, estão com os calibres mesmo fora do normal, muito acima da média. Pode vir a ser um ano muito bom”, vincou.
Com cerejas duras, de “carne branca” e com um tamanho superior a “uma moeda de dois euros”, o agricultor, que aposta apenas há três anos nesta cultura, admite que espera colher cinco toneladas, por cada um dos seus quatro hectares.
Embora a produção deste ano esteja apenas agora a ser apanhada, já está toda vendida, para o mercado do Porto e Lisboa.
“Está toda vendida porque tem altos padrões de qualidade (…) A primeira que vendi, o comprador mandou-ma reservar toda”, adiantou Pedro Morgado.
Além da boa qualidade e do bom calibre, este ano a maturação da cereja também começou mais cedo.
O presidente da Cooperativa Agrícola de Alfândega da Fé, Luís Jerónimo, revelou à Lusa que a cereja começou a amadurecer cerca de duas semanas mais cedo, pelo que, enquanto no ano passado a primeira apanha foi feita no final de maio, este ano poderá ser ainda esta semana.
“Tem a ver tudo com as condições climatéricas que tivemos. Não houve grandes frios, tivemos bastante chuva. Entretanto, na altura da floração a chuva parou, houve uma boa floração, depois tivemos um bom vingamento do fruto”, explicou.
De acordo com o responsável da cooperativa, que tem entre 15 a 20 hectares de cerejal, nesta primeira apanha, de variedade precoce, espera que sejam colhidas tantas cerejas como no total da produção de 2025.
“Se não houver problemas esperamos que nesta precoce poderemos andar já muito perto das 10 toneladas, que posso dizer que foi a produção total do ano passado”, adiantou, podendo chegar às 20 toneladas até ao fim da campanha.
Ainda assim, o tempo imprevisível para um fruto tão sensível pode alterar todas as previsões para esta campanha.
“Vamos ver se se mantém assim. Basta vir chuva quando ela estiver madura e depois calor e ela racha toda”, disse Luís Jerónimo, acrescentando que, a correr bem, pode haver cereja até junho.
Os últimos três anos foram de fracasso para os produtores de cereja da região, mas o cenário agora inverte-se e também no concelho vizinho, em Macedo de Cavaleiros, se espera um bom ano de produção.
“É um ano com muita quantidade e com uma qualidade bastante boa. Apesar de as árvores estarem com muita carga, a temperatura e o tempo têm estado propícios ao desenvolvimento da cereja. Tivemos uns dias mais amenos, com alguma chuva, o que potenciou o crescimento e o desenvolvimento da cereja”, disse à Lusa o presidente da Associação de Produtores de Cerejas de Lamas.
Esta associação reúne quase 170 hectares de cerejal desta aldeia e Paulo Pires aposta que, nesta campanha, vão ser colhidas entre 350 a 400 toneladas de cereja.
Quanto a preços, os produtores dizem que ainda é cedo, mas Paulo Pires avançou que, tendo em conta outras regiões onde já começou a ser a feita a colheita, os valores serão idênticos aos do ano passado.
Ao consumidor, a cereja poderá ser vendida entre os “3 e os 6 euros o quilo” e ao produtor poderá ser comprada a “metade desse valor”.
“Eu diria que o produtor poderá, este ano, contar com um preço expectável, diria eu, entre 1,5 e os 2 euros”, referiu.
No entanto, os custos de produção não são iguais aos do ano anterior.
“São bastante mais altos porque temos preços de combustíveis muitíssimo mais elevados, temos preços de todos os produtos, todos os fitofármacos e todos os fertilizantes aumentaram o seu preço (…) portanto, o custo de produção está significativamente mais alto, mas penso que será em termos de preço de mercado será um pouco balanceado por aquilo que é o volume de produção que é expectável. Havendo uma maior quantidade de cereja disponível, o preço manter-se-á, penso eu, aproximado e em linha com aquilo que tem sido os anos anteriores”, disse à Lusa Paulo Pires.














































