A Direção da APROSERPA – Associação de Agricultores da Margem Esquerda do Guadiana – vem alertar publicamente para a grave situação financeira que atravessam as explorações agrícolas da nossa região, resultante da conjugação de dois fatores particularmente preocupantes: o aumento contínuo dos custos de produção, em especial do gasóleo agrícola, e uma das mais difíceis campanhas de cereais praganosos das últimas décadas.
O preço do gasóleo agrícola compromete a viabilidade das explorações
A agricultura e a pecuária dependem diariamente da utilização de máquinas e equipamentos agrícolas. Sem combustível não há mobilização de solos, sementeiras, tratamentos, colheitas nem transporte de alimentos para os animais.
Com o preço do gasóleo agrícola (colorido e marcado) a rondar atualmente os 1,65 €/litro, os custos de produção atingiram níveis insustentáveis para milhares de agricultores. Cada hectare trabalhado representa um esforço financeiro crescente, reduzindo drasticamente a rentabilidade das explorações e acelerando a sua descapitalização.
É imperioso reconhecer que a produção de alimentos não pode continuar sujeita a custos energéticos que colocam em causa a sustentabilidade económica das explorações agrícolas.
Quebra dramática na produção de cereais praganosos
A campanha de cereais praganosos de 2026 ficará marcada como uma das mais difíceis das últimas décadas. As condições climatéricas extremamente adversas provocaram quebras de produção muito significativas em praticamente toda a região, deixando inúmeros agricultores sem rendimento suficiente para compensar os investimentos realizados.
Esta realidade cria um problema adicional de enorme gravidade.
Apesar de existirem apoios públicos destinados ao setor, as regras atualmente em vigor obrigam ao cumprimento de volumes mínimos de entrega às Organizações de Produtores para que esses apoios possam ser processados. Contudo, muitos agricultores não conseguem atingir esses volumes mínimos, não por incumprimento das suas obrigações, mas porque a quebra de produção tornou materialmente impossível cumprir os rácios exigidos.
Seria profundamente injusto que os produtores fossem duplamente penalizados: primeiro pela perda da produção e do rendimento agrícola; depois pela perda dos apoios públicos precisamente no ano em que deles mais necessitam para garantir a continuidade das suas explorações.
A APROSERPA exige medidas urgentes
Tendo a APROSERPA irá comunicar formalmente esta situação ao Gabinete do Senhor Ministro da Agricultura e Mar e à CCDR Alentejo, exigimos a adoção urgente das seguintes medidas:
1. Acionamento da cláusula de força maior para a campanha de cereais praganosos
Reconhecimento oficial da situação excecional vivida nesta campanha e isenção extraordinária do cumprimento dos volumes mínimos de entrega às Organizações de Produtores, assegurando que os apoios previstos sejam integralmente processados com caráter de urgência para todos os agricultores afetados.
2. Medidas imediatas sobre o preço do gasóleo agrícola
Implementação urgente de mecanismos de compensação financeira ou de redução efetiva da carga fiscal incidente sobre o gasóleo agrícola, devolvendo viabilidade económica e competitividade às explorações agrícolas.
É tempo de agir
Num contexto internacional marcado por crescente instabilidade geopolítica, alterações climáticas e volatilidade dos mercados, a agricultura nacional assume uma importância estratégica que ultrapassa largamente a dimensão económica do setor.
Preservar a capacidade produtiva das explorações agrícolas significa reforçar a segurança alimentar, reduzir a dependência externa e aumentar a resiliência de Portugal perante futuras crises.
Quando uma exploração agrícola encerra, perde-se muito mais do que o rendimento de uma família. Perde-se capacidade produtiva, reduz-se a produção nacional de alimentos, enfraquece-se a economia rural, aumenta o despovoamento do interior e diminui a autonomia alimentar do País.
O setor agrícola não pode continuar a suportar sozinho o impacto das crises climáticas e do aumento dos custos de produção. Sem uma resposta rápida e adequada do Estado, muitas explorações verão seriamente comprometida a sua viabilidade económica, com consequências diretas para a segurança alimentar, para o emprego no mundo rural e para a coesão territorial.
A APROSERPA reafirma a sua total disponibilidade para colaborar com o Ministério da Agricultura e Mar, com a CCDR Alentejo e com todas as entidades competentes na definição de soluções que respondam, com urgência, à gravidade da situação que os agricultores enfrentam.
Fonte: APROSERPA












































