O Parque Nacional de Maputo entregou 650 colmeias para garantir a subsistência de comunidades que vivem na zona tampão daquela área, e prevê lançar nos próximos meses uma marca própria de mel, foi hoje anunciado.
De acordo com informação divulgada pelo parque, classificado desde 2025 como Património Mundial da Humanidade pela Unesco, a iniciativa vai beneficiar “em especial” os pescadores da comunidade de Machangulo, no distrito de Matutuíne, província de Maputo.
“Espera-se que, nos próximos meses, Machangulo coloque no mercado mel orgânico devidamente registado, sob a marca ‘Mel da Costa dos Elefantes’, reforçando a identidade local e agregando valor ao produto”, explica ainda.
O projeto visa “criar meios alternativos de subsistência para os pescadores da zona tampão” daquele parque, com algumas limitações às atividades humanas. Envolve a Administração Nacional de Áreas de Conservação (Anac) e tem o apoio da Peace Parks Foundation e da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).
“Hoje, os apicultores começam a sorrir de alegria com os resultados positivos da produção de mel extraído das colmeias, uma iniciativa do parque que não só contribui para a redução da pressão sobre os recursos marinhos, base de subsistência desta população, como também cria novas fontes de rendimento, em que os beneficiários podem dedicar-se à apicultura durante o período de veda da época pesqueira, garantindo maior estabilidade económica às suas famílias”, acrescenta a informação.
Além das colmeias, o parque também alocou à comunidade de Machangulo um técnico especializado na área, que presta assistência a mais de 100 apicultores, desde a instalação dos apiários, monitoria, colheita até ao processamento do mel, para promover a atividade e uma nova forma de subsistência para estas comunidades,
A história da proteção ambiental a sul da capital moçambicana começou em 1932, então numa pequena área de caça, em que o elefante era das principais presas. Em 1969, a importância da biodiversidade local levou à classificação da área como Reserva Especial de Maputo.
A reação ao declínio provocado pela guerra civil que se seguiu à independência recebeu o seu principal impulso em 2006 com assinatura de um memorando de entendimento entre o Governo e a Peace Parks Foundation.
Em resultado dessa cooperação, o Parque Nacional de Maputo não tem parado de crescer desde 2010, beneficiando de vários programas de reintrodução e translocação de espécies.
Aí têm o seu habitat as girafas e elefantes, que se passeiam habitualmente junto à estrada Nacional 1 (N1), num troço de oito quilómetros que o atravessa, mas o Parque Nacional de Maputo combina as vertentes de “mar e terra”, numa área total de 1.718 quilómetros quadrados.
Oficialmente, foi criado em 07 de dezembro de 2021, juntando duas áreas protegidas contíguas, a Reserva Especial de Maputo (1.040 quilómetros quadrados na componente terrestre) e a Reserva Marinha Parcial da Ponta do Ouro (678 quilómetros quadrados).














































