O mistério das sementes da China – o que sabemos até agora?

O mistério das sementes da China – o que sabemos até agora?

1.Partilhei hoje um ALERTA do Ministério da Agricultura sobre “o envio, por via postal, de pequenos pacotes de sementes, não solicitados, provenientes de países asiáticos” pedindo o ministério a todos os que recebam embalagens de sementes não solicitadas, que NÃO AS SEMEIEM NEM AS COLOQUEM NO LIXO e que as mesmas sejam entregues num serviço regional da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária ou numa Direção Regional de Agricultura e Pescas ou enviadas para a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV, Campo Grande 50 – 1700-093 Lisboa. (…) As embalagens não estão identificadas como contendo sementes e, para além das sementes de várias espécies vegetais, constatou-se que estas poderão ainda conter solo, larvas mortas ou, ainda, estruturas de fungos.”

2. Esta situação já ocorreu noutros países da Europa e nos Estados Unidos e Canadá, há cerca de um mês, tendo sido divulgados alertas do mesmo género.

3. Vi entretanto muita preocupação com a hipótese de haver aqui alguma espécie de terrorismo ou guerra biológica. É natural essa preocupação no mesmo ano em que sofremos com um vírus que surgiu na mesma região. Mas a coincidência parece ficar por aí. Não há até agora qualquer prova ou evidência nesse sentido.

4. Que sementes? Segundo notícia do New York Times de 2 de agosto de 2020, “foram identificadas 14 tipos de plantas revelando uma “mistura de espécies ornamentais, frutas e vegetais, ervas e ervas daninhas”. Entre as espécies de plantas, os botânicos identificaram até agora: repolho, hibisco, lavanda, menta, ipomeia, mostarda, rosa, alecrim e sálvia, de acordo com o Serviço de Inspeção de Saúde Vegetal e Animal do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos.”

5. Porquê? Segundo o mesmo artigo e outra notícia do site modernfarmer, “O USDA (Departamento de agricultura) acredita que as sementes são parte de um “golpe de escovagem/ melhoria de imagem”, em que os vendedores online enviam pacotes baratos e leves para clientes que nunca os encomendaram. Isso permite que publiquem análises “verificadas” desses produtos, porque podem provar que esses produtos foram realmente entregues num endereço específico. É, no que diz respeito aos golpes online, bastante inócuo, embora revele quantas informações pessoais (nome e endereço) são mantidas e usadas indevidamente por essas empresas”.

6. Contudo, voltando ao comunicado do Ministério da Agricultura, na mesma linha das preocupações das autoridades americanas, “Nenhuma destas embalagens vem acompanhada de Certificado Fitossanitário, (…) o que acarreta sérios riscos do ponto de vista da sanidade vegetal, pela possibilidade de espalharem pragas e doenças ou ainda pelo perigo de se tratarem de espécies nocivas ou invasoras”. Portanto, não parece ser uma oferta bondosa nem maldosa, apenas oportunista. Não há razão para alarme, mas sim para ter cuidado. (imagem do New Iork Times)

O artigo foi publicado originalmente em Carlos Neves Agricultor.

Comente este artigo
Anterior Ministra da Agricultura participa no Conselho informal de Ministros de Agricultura da União Europeia
Próximo Drones contra incêndios. Factos, logros e interrogações. Afinal o que está a correr mal?

Artigos relacionados

Últimas

Alentejo. Agricultores reclamam medidas de combate à seca

A Federação das Associações de Agricultores do Baixo Alentejo (FAABA) reclama “medidas de apoio de modo a mitigar os prejuízos causados” […]

Últimas

Cheias vão voltar ao Mondego, avisa Matos Fernandes

Passado um ano de novas cheias no Baixo Mondego, ministro do Ambiente regressou a Montemor para dizer que já foram executados três milhões de euros em obra. […]

Nacional

Crédito Agrícola e a AGROINSIDER associam-se para apoiar a modernização da Agricultura

O Crédito Agrícola estabeleceu uma parceria com a AGROINSIDER, uma empresa especialista em soluções inovadoras na área da agricultura de precisão, […]