As descargas da barragem de Touvedo, em Ponte da Barca, aumentaram o caudal do rio Lima naquele concelho e em Ponte de Lima, causando inundações na zona ribeirinha, foi hoje divulgado.
Contactado pela agência Lusa, o comandante dos Bombeiros Voluntários de Ponte de Lima explicou que o rio Lima “inundou o areal, já encostou ao paredão do Passeio 25 de Abril, mas ainda galgou para o passeio”.
Já na outra margem, Carlos Lima disse que o Clube Náutico está inundado “com uns metros valentes de água”.
“O clube estava de sobreaviso e tinha retirado o material do interior das instalações”, referiu.
Segundo Carlos Lima, o rio vai continuar a subir por causa das descargas da barragem do Touvedo, da chuva e da preia-mar às 15:00″.
“A albufeira de Touvedo estava a debitar, cerca das 10h00, 500 metros cúbicos de água por segundo. Recebe água da barragem do Alto Lindoso e já não consegue encaixar”, explicou.
Além das descargas, o rio Lima está ainda a receber as águas do rio Vez, em Arcos de Valdevez.
Além de algumas estradas municipais cortadas ou condicionadas devido à subida das águas do rio Estorãos, cerca das 12h20 “não havia registo de vítimas ou estragos materiais”.
O comandante dos Bombeiros Voluntários de Ponte de Lima, no distrito de Viana do Castelo, garantiu que “os meios estão posicionados para acompanhar o evoluir da situação e para a eventual tomada de medidas especiais”.
No município vizinho de Ponte da Barca, o comandante dos Bombeiros Voluntários, Carlos Veloso, disse que “o rio Lima galgou as margens, no domingo à tarde, e inundou a zona do Choupal”.
Hoje “o nível das águas mantém-se, mas ainda não atingiu o restaurante e o comércio situado perto do rio”.
“A proteção civil e os bombeiros fecharam os parques de estacionamento no Choupal e Campo da Feira”, especificou.
Carlos Veloso referiu que, às 12h30, “a barragem de Touvedo continuava a descarregar”, temendo que “a começar a chover com intensidade os estabelecimentos situados junto ao rio sejam afetados”.
“O rio Vade, que vem de Vila Verde, distrito de Braga, está com muita força e também desagua no rio Lima, causando inundações”, adiantou.
Segundo Carlos Veloso, cerca das 12h30, não havia registo de vítimas ou danos materiais.
No sábado, o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente, José Pimenta Machado, explicou que durante o fim de semana seriam feitas descargas para preparar as albufeiras para os dias de muita chuva que se avizinham e que colocam em risco toda a zona do “Mondego, bacia do Vouga, Águeda”, mas também “o Porto, toda a Bacia do Douro e Tâmega, e a Bacia do Cavado do Minho e Lima”.
Reforçou que se segue “uma semana muito difícil” e que está a ser feita uma gestão “de hora a hora e de minuto a minuto”.
A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho. No concelho da Batalha, distrito de Leiria, um outro homem de 73 anos morreu este sábado ao cair de um telhado quando estava a reparar as telhas.
Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal.
Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.
















































