Javalis à porta de Lisboa? “Eram porcos vietnamitas”

Javalis à porta de Lisboa? “Eram porcos vietnamitas”

O presidente do Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), Nuno Banza, esclarece que os animais avistados às portas de Lisboa não eram javalis.

“Nem todos os porcos que encontramos na cidade são javalis. Naquele caso concreto, aqueles porcos eram uma espécie de porco doméstico, era porcos vietnamitas”, diz à Renascença.

Nas últimas semanas, foi avistado um grupo de porcos, na altura confundidos com javalis, na Amadora.

Nuno Banza admite que os animais “provavelmente terão sido libertados de alguma exploração” ou então serão animais de estimação que foram abandonados.

“Há os novos urbanos que, numa tentativa de ligação à ruralidade, adotam uns porquinhos para ter em casa. O problema é que os porcos crescem e quando ficam grandes as pessoas muitas vezes não sabem o que fazer com os porcos e depois libertam-nos”, explica Nuno Banza.

Nesta entrevista à Renascença, o presidente do ICNF explica que “a população de javalis tem tido registos de aumento por toda a Europa e Portugal não é exceção”, chamando à atenção que os javalis são animais selvagens.

“É preciso ter cuidado na aproximação de pessoas. Por vezes nos vídeos que circulam vê-se a aproximação de pessoas, muitas vezes com crianças, e não devem”, sublinha.

Nuno Banza explicou que não se conhece ao certo a dimensão, localização e hábitos da população de javalis em Portugal. Estima-se que haja entre 100 a 200 mil animais, mas só daqui a sensivelmente um ano serão conhecidos os resultados de um estudo começado há umas semanas por uma equipa da Universidade de Aveiro.

Os javalis não têm predadores naturais. Como tal, só são eliminados quando caçados. “O javali é, da caça maior, o animal que é mais caçado. Estamos a falar de cerca de 30 mil animais por ano”, refere Nuno Banza.

O presidente do ICNF acrescenta que, para ajudar ao equilíbrio do número de javalis existentes, já foram publicados, este ano, dois editais de correções extraordinárias, o que permite aumentar o número de animais caçados.

Questionado sobre se a esterilização é uma forma possível de controlar o crescimento desta comunidade, Banza explica que tal não é possível, uma vez que são animais selvagens, dispersos pelo território.

“Esterilizar animais implica chegar até eles e manuseá-los. A medida de esterilização não se usa em animais selvagens com uma dispersão territorial como a do javali, simplesmente porque não tem efeito”, explica.

No final do mês de julho, um grupo de quase 100 agricultores manifestou-se em Lisboa num alerta para os prejuízos causados por estes animais. Nuno Banza reconhece que os estragos na agricultura são avultados e que a presença mais descontrolada destes animais nas explorações agrícolas deve-se também à falta de pessoas nos meios rurais.

O artigo foi publicado originalmente em Rádio Renascença.

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