O diretor regional do Centro do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) defendeu hoje que investir na prevenção é escolha de responsabilidade pública, sustentando que prevenir fogos e valorizar a floresta não são objetivos contrários.
“Num país onde o risco de incêndio rural permanece elevado, investir na prevenção é, acima de tudo, uma escolha de responsabilidade pública”, afirmou Paulo Farinha Luís, em Porto de Mós, distrito de Leiria, numa sessão relativa à entrega de maquinaria de apoio à floresta a vários municípios.
No discurso, o também vogal do Conselho Diretivo do ICNF disse que “ao longo dos últimos anos, Portugal aprendeu, e muitas vezes com dor e perdas irreparáveis, que a prevenção não pode ser apenas uma intenção”, mas “uma política pública de investimento continuado e presença no terreno”.
Segundo o dirigente do ICNF, “o investimento nacional que se está a executar, superior a 50 milhões de euros”, integra uma estratégia que assume que a prevenção “se faz perto das pessoas, com os municípios, com as comunidades intermunicipais (CIM) e com quem conhece profundamente o território”.
Hoje, a CIM da Região de Leiria e a Oeste CIM passam a dispor de duas máquinas de rastos. Já os municípios de Castanheira de Pera e Marinha Grande (Região de Leiria), Alenquer, Arruda dos Vinhos, Bombarral e Nazaré (Oeste CIM) e Salvaterra do Magos (Lezíria do Tejo) receberam tratores.
Cada um destes equipamentos representa a escolha da “prevenção antes da emergência”, do “planeamento antes da improvisação”, a proteção de “vidas e património antes que o risco aconteça” adiantou, considerando que com a iniciativa “não se está apenas a reforçar meios”, mas “a reforçar um modelo de governação do território baseado em responsabilidade partilhada”.
“As CIM assumem metas claras de intervenção anual na rede de área florestal, 100 quilómetros; os municípios assumem o compromisso de gestão regular da vegetação e redução de combustível, 80 hectares/ano”, referiu, considerando que os objetivos são exigentes.
Porém, “essa exigência é uma condição necessária para se conseguirem resultados”, defendeu Paulo Farinha Luís.
“Quando chegarmos à época crítica, o sucesso não depende apenas do combate daquela altura, depende em grande parte do trabalho que foi feito antes”, avisou, destacando que estas ações vão além da prevenção e procuram “uma floresta que cria valor económico”, emprego e fixe pessoas.
Para o diretor regional do Centro do ICNF, “prevenir incêndios e valorizar a floresta” não são objetivos contrários, mas dimensões desta estratégia.
Já o presidente da Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria, Jorge Vala, afirmou que esta é uma “iniciativa de enorme relevância” para estes territórios e, dirigindo-se ao secretário de Estado das Florestas, Rui Ladeira, declarou que, “num tempo em que tantas vezes o politicamente correto se sobrepõe à capacidade de fazer, houve aqui a coragem de fazer diferente”.
“Investir em meios, ouvir os municípios, dialogar com as CIM e concretizar uma política florestal com impacto real nos territórios”, considerou Jorge Vala, também presidente da Câmara de Porto de Mós.
Salientando que se trata de “meios operacionais determinantes”, Jorge Vala exemplificou que as máquinas de rastos “são, frequentemente, fator decisivo para travar a propagação do fogo, criar condições de segurança e apoiar operações de combate ampliadas”.
“São equipamentos que fazem a diferença quando cada minuto conta”, adiantou, alertando que as alterações climáticas colocam “desafios cada vez maiores e mais exigentes, e a resposta só pode” passar por “antecipar, capacitar e agir”.
Jorge Vala assegurou ainda que “estes equipamentos serão utilizados com responsabilidade, cooperação institucional e foco absoluto na defesa do interesse público” do património natural da Região de Leiria.














































